Ucrânia: “Ainda estamos longe da paz”, diz Guterres após telefonema com Putin

A possibilidade de um acordo de paz na Ucrânia permanece muito distante, admitiu o secretário-geral das Nações Unidas (ONU). António Guterres, que está a liderar a 77ª Assembleia-Geral da ONU, falou com o presidente russo.

A possibilidade de um acordo de paz na Ucrânia permanece muito distante, admitiu o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, após uma conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin.

“Ainda estamos longe de um acordo de paz. (…) Estaria a mentir se dissesse que isso vai acontecer rapidamente”, disse Guterres num ‘briefing’ à imprensa, na sede da ONU em Nova Iorque.

De acordo com o secretário-geral da ONU, as probabilidades de um cessar-fogo “são mínimas”, frisando que continuará a perseguir esse objetivo.

O líder da ONU discutiu hoje com Putin a situação na Ucrânia e, segundo detalhou, abordou com o Presidente russo as possibilidades de estender o acordo para exportação de cereais pelo Mar Negro, bem como formas para facilitar as vendas de fertilizantes russos e a questão da central nuclear ucraniana de Zaporijia.

Guterres informou que a ONU está a tentar mediar as conversações para que as exportações russas de amoníaco pelo Mar Negro sejam retomadas, com uma extensão do acordo internacional que permitiu o desbloqueio de portos ucranianos para libertar milhões de toneladas de cereais daquele país.

O amoníaco é amplamente utilizado no desenvolvimento de fertilizantes e a Rússia é um dos principais produtores mundiais de fertilizantes, mas as vendas foram reduzidas de forma significativa desde a invasão russa da Ucrânia, com Moscovo a denunciar a existência de muitos obstáculos.

Embora os Estados Unidos e a União Europeia tenham clarificado que as suas sanções não afetam alimentos e fertilizantes russos, por enquanto muitas empresas privadas estão relutantes em estar envolvidas em tais operações, segundo fontes da ONU.

Guterres e Putin abordaram ainda, no telefonema de hoje, a situação dos prisioneiros de guerra e a missão que as Nações Unidas enviarão para investigar o ataque contra uma prisão em Olenivka, na Ucrânia, onde morreram 50 prisioneiros ucranianos, cuja autoria é alvo de acusações cruzadas entre Moscovo e Kiev.

De acordo com Guterres, a Rússia prometeu não colocar nenhum obstáculo aos investigadores da ONU e permitirá que estes realizem o seu trabalho.

Questionado sobre os recentes avanços das tropas ucranianas e sobre o significado destas manobras para um possível fim da guerra, desencadeada por Moscovo no final de fevereiro, Guterres afirmou: “Ainda estamos longe da paz”.

Guterres lembrou ainda que a guerra na Ucrânia está a devastar um país e a afundar a economia global, com consequências dramáticas, especialmente para os países pobres.

O conflito na Ucrânia será tema de destaque entre os líderes internacionais que estarão na próxima semana em Nova Iorque para participarem nas reuniões anuais da Assembleia-Geral da ONU, embora Guterres tenha destacado hoje a importância de lidar com outras crises, como a alimentar e a climática.

“O Debate Geral deste ano deve ser sobre dar esperança. Essa esperança só pode vir através do diálogo e do debate que são o coração pulsante das Nações Unidas”, concluiu António Guterres.

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