Ucrânia: Aliados comprometem-se com tanques pesados para Kiev após aval alemão

Vários países ocidentais confirmaram o envio de tanques pesados para a Ucrânia, embora os números sejam ainda incertos, após a Alemanha ter autorizado a cedência dos Leopard 2 e de os Estados Unidos anunciarem o fornecimento de blindados Abrams

Bucha, Ucrânia

A Noruega foi o último país a anunciar que vai juntar-se ao grupo de países aliados que preparam o envio de tanques de fabrico alemão Leopard 2 para a Ucrânia, como forma de apoiar a resistência à invasão russa, anunciou hoje o ministro da Defesa norueguês.

“A Noruega e o Governo apoiam a doação de tanques de guerra para a Ucrânia. A Noruega participará”, afirmou Bjorn Arild Gram em entrevista à televisão estatal NRK, sem precisar o número destes carros pesados de combate a serem fornecidos.

A Alemanha autorizou o envio de carros de combate Leopard 2 para as forças ucranianas combaterem a invasão russa e aprovou os pedidos de outros países no mesmo sentido, de acordo com um porta-voz do executivo de Berlim.

“Esta decisão segue a nossa linha conhecida de apoiar a Ucrânia da melhor maneira possível. Atuamos internacionalmente de maneira altamente coordenada”, declarou o chanceler alemão, Olaf Scholz, citado pelo seu porta-voz, Steffen Hebestreit.

Num comunicado, o Governo alemão declarou que, inicialmente, fornecerá à Ucrânia 14 dos seus tanques Leopard 2 A6.

A decisão de Berlim surgiu antes das autoridades dos Estados Unidos anunciarem que foi fechado um acordo preliminar para enviar tanques M1 Abrams a Kiev, para ajudar a repelir as forças russas no leste da Ucrânia.

Os Leopard 2 noruegueses juntam-se aos 14 já garantidos pela Alemanha e a outros 14 a confirmados pela Polónia, um dos principais defensores do envio deste veículo militar, há muito pedido pelas autoridades de Kiev.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu hoje ao chanceler alemão, Olaf Scholz, o facto de Berlim ter dado ‘luz verde’ ao envio destes carros blindados, considerando que é uma decisão “importante e oportuna” e o secretário-geral da NATO considerou que a decisão ajudará Kiev a “vencer e a prevalecer enquanto nação independente”.

Reino Unido, França e Polónia congratularam-se igualmente com a decisão de Berlim, mas com Espanha a alertar para o perigo de uma escalada da guerra contra a Rússia.

Posteriormente, Madrid disse que está “pronta” para enviar os tanques Leopard 2 e treinar soldados ucranianos para a sua utilização, disse a ministra da Defesa espanhola.

“A Espanha está pronta” para ajudar a Ucrânia com “o envio de tanques Leopard”, mas também participando no “treino” de soldados ucranianos para a “utilização” e a “manutenção” destes veículos pesados, garantiu Margarita Robles num comunicado divulgado pela televisão pública espanhola, mas também sem fornecer dados sobre a quantidade de veículos.

Quanto à Presidência russa (Kremlin), considerou hoje que o envio de carros de combate alemães e Abrams norte-americanos para a Ucrânia é um “plano sobrestimado”, sustentando que “vai falhar”.

“É um plano destinado ao fracasso”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na sua conferência de imprensa diária.

O fornecimento de carros de combate pesados à Ucrânia “é sobrestimado” e não vai dar a Kiev a vantagem desejada pelo Ocidente, sublinhou.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou igualmente o envio de 31 tanques pesados Abrams para a Ucrânia, numa comunicação em que garantiu que os aliados “estão totalmente unidos” para ajudar Kiev.

O envio dos carros blindados, sem data prevista, será acompanhado de outras medidas, como o treino das tropas ucranianas, com o objetivo de “melhorar a sua capacidade de manobra em campo aberto” e as suas capacidades militares a longo prazo, segundo o chefe de Estado norte-americano.

Zelensky, através do Twitter, também se pronunciou sobre os Abrams, agradecendo aos Estados Unidos “outra decisão poderosa” ao fornecer Abrams para a Ucrânia. “É um passo importante no caminho da vitória. Hoje, o mundo livre está unido como nunca antes por um objetivo comum – a libertação de Ucrânia e estamos a seguir em frente”, declarou.

Também o Reino Unido já tinha anunciado a entrega às forças ucranianas de 14 tanques Challenger.

Ainda sobre os Leopard 2, outros países declararam a intenção de enviar estes carros de combate, como a Suécia, a Finlândia, Dinamarca e Países Baixos. A imprensa ucraniana avança com uma quantidade total acima dos cem veículos, mas sem confirmação da maior das respetivas autoridades nacionais.

A imprensa ucraniana coloca Portugal entre os países fornecedores, com quatro Leopard 2, mas o Governo ainda não anunciou a sua decisão final.

A ministra da Defesa disse esperar uma decisão sobre o envio dos Leopard 2 do Exército português “nos próximos dias”, e assegurou que Portugal ajudará Kiev a desenvolver a sua capacidade na área dos carros de combate.

“Nenhuma dúvida: Portugal vai participar e ajudar a Ucrânia a desenvolver a sua capacidade nesta área dos carros de combate Leopard 2”, afirmou à agência Lusa Helena Carreiras.

A titular da Defesa disse que Portugal está ainda a avaliar a disponibilidade e os impactos que a cedência dos Leopard 2 teria nas capacidades do Exército português.

“Reafirmo que estamos a avaliar quer a nossa disponibilidade quer os impactos que teria também sobre as nossas capacidades, mas com toda a atenção e com a necessária prudência”, declarou. “Não devemos nesse movimento perder capacidades”, salientou.

Na sexta-feira, Portugal anunciou que vai enviar mais 14 viaturas blindadas M113 e oito geradores elétricos de grande capacidade para a Ucrânia, elevando “para 532 toneladas o total de equipamento militar, letal e não letal” fornecido ao país.

Na reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia, que decorreu naquele dia em Ramstein, na Alemanha, a ministra da Defesa Nacional “reiterou a oferta de treino” nos veículos Leopard e manifestou “a disponibilidade do Governo português para identificar, com os seus parceiros, formas de apoiar a Ucrânia com esta capacidade”, refere o ministério.

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