Ucrânia. Blinken diz a Lavrov que mundo nunca aceitará anexação de territórios

O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, anunciou esta sexta-feira que teve uma discussão “franca” com o seu homólogo russo, Serguei Lavrov, tendo-lhe dito que o mundo “nunca reconhecerá a anexação de territórios ucranianos”.

Blinken solicitou a chamada telefónica para pedir a Moscovo que aceite uma oferta de troca de dois prisioneiros norte-americanos por um prisioneiro russo, aproveitando para falar sobre a invasão da Ucrânia, e assegurando ao chefe da diplomacia russa que o mundo “nunca reconhecerá a anexação de territórios ucranianos por Moscovo”.

Após aquela que foi a primeira conversa entre os dois chefes de diplomacia desde a invasão russa da Ucrânia, há mais de cinco meses, Blinken não forneceu pormenores sobre a resposta de Lavrov à proposta de a Rússia libertar dois cidadãos norte-americanos – Paul Whelan e Brittany Griner – em troca do traficante de armas russo Viktor Bout.

“Eu pedi-lhe para avançar na nossa proposta”, disse Blinken sobre sua conversa com Lavrov, sem dar os pormenores sobre a identidade dos prisioneiros, dados que apenas estão a ser avançados pelos ‘media’ norte-americanos.

Moscovo confirmou a chamada telefónica, embora, na quinta-feira a Rússia tenha garantido que Blinken não pediu formalmente para falar com Lavrov.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo também disse que não haveria mais explicações sobre a questão das trocas de prisioneiros.

“Os acordos geralmente são divulgados apenas quando são alcançados”, disse o porta-voz da diplomacia russa.

O último diálogo entre Blinken e Lavrov foi em 15 de fevereiro, quando o diplomata norte-americano instou a Rússia a não avançar com a invasão da Ucrânia, o que se confirmou nove dias depois.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de 5.100 civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar russa causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas, das quais mais de 5,9 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A organização internacional tem observado o regresso de pessoas ao território ucraniano, mas adverte que estão previstas novas vagas de deslocação devido à insegurança e à falta de abastecimento de gás e água nas áreas afetadas por confrontos.

Também segundo as Nações Unidas, mais de 15,7 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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