Ucrânia corta relações diplomáticas com a Rússia e apela a aliados que façam o mesmo

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano pediu aos seus aliados que cortem relações diplomáticos com a Rússia, no seguimento do que a própria Ucrânia fez hoje.

Reuters

Na sequência da invação russa à Ucrânia durante a madrugada desta quinta-feira, o governo ucraniano anunciou que cortou relações diplomáticas com a Rússia, cumprindo a ameaça que tinha sido feita esta quarta-feira. Momentos depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros recorreu à rede social Twitter para reiterar o apelo aos aliados.

“Com este passo concreto vão demonstrar que apoiam a Ucrânia e que rejeitam categoricamente o ais flagrante ato de agressão na Europa desde a II Guerra Mundial”, escreveu no Twitter Dmytro Kuleba.

Este é o primeiro rompimento diplomático entre ambos os países desde de que a Ucrânia e a Rússia declararam independência na sequência do colapso da União Soviética em 1991.

“A Ucrânia está a defender-se e não vai abdicar da sua liberdade independentemente do que possa Moscovo pensar”, disse Zelenskyy esta manhã, momentos depois de terem sido confirmados os primeiros ataques e bombardeamos em vários pontos da Ucrânia. “A Rússia atacou o nosso estado pela manhã de forma vil e suicida, assim como a Alemanha fascista fez durante a segunda guerra mundial”, atirou.

A manhã desta quinta-feira ficou ainda marcada pela reunião de emergência entre os embaixadores da NATO onde foi decido que o pacto de sanções até agora anunciado vai ser reforçado. Em Portugal, o Conselho Superior da Defesa Nacional reúne-se.

A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que o ataque responde a um “pedido de ajuda das autoridades das repúblicas de Donetsk e Lugansk”, no leste da Ucrânia, cuja independência reconheceu na segunda-feira, e visa a “desmilitarização e desnazificação” do país vizinho.

O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU.

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“Confie no Governo, confie também em mim! Tomamos decisões que são sempre consideradas e coordenadas a nível internacional”, disse, referindo-se à decisão anunciada esta semana.

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“Estamos cientes da política de não-alinhamento da África do Sul. É por isso que a UE não está a pedir à África do Sul que escolha um lado. Pedimos-lhe simplesmente que cumpra a Carta das Nações Unidas. Nada mais. Mas também nada menos que isso”, disse Borrell numa conferência de imprensa conjunta, em Pretória, com a ministra das Relações e Cooperação Internacionais sul-africana, Naledi Pandor.
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