Ucrânia: Kiev acusa ex-força de intervenção policial de combater do lado russo

As autoridades ucranianas indicaram hoje que 20 membros do grupo Berkut, uma força de intervenção policial que desertou para a Rússia em 2014, estão a participar na guerra ao lado das forças russas e dos separatistas russófonos.

Diversos efetivos da designada “Companhia Negra”, dirigida pelo comandante Dimitro Sadovnik, e acusada de ser responsável por cerca de 50 mortes no decurso dos protestos do denominado Euromaidan, no final de 2013 e inícios de 2014, estarão envolvidos nos combates. Este grupo já foi acusado de uso excessivo da força, tortura e outras práticas ilegais.

De acordo com os serviços de informações ucranianos, desde a invasão russa há nove meses, as autoridades vigiaram vários dos antigos membros desta força policial e conseguiram concluir que pelo menos 20 estão a lutar do lado russo.

O gabinete estatal de investigação da Ucrânia sustém que Sadovnik e os seus homens se encontram em território controlado pelas tropas russas. “Temos conhecimento que alguns dos seus subordinados lutam atualmente contra a Ucrânia”.

O procurador-geral da Ucrânia, Oleksi Khomenko, já indicou “aqueles que participaram na repressão dos protestos de 2013 e 2014 estão agora a matar militares ucranianos do lado do inimigo”.

Em março de 2014, as unidades do Berkut estacionadas na Crimeia uniram-se à Rússia após as novas autoridades ucranianas terem anunciado a sua dissolução por atos de violência cometidos na ocasião.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.557 civis mortos e 10.074 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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