Ucrânia: Kiev demite altos funcionários ligados a casos de corrupção

Os afastamentos de hoje seguem-se à demissão do vice-ministro ucraniano das Infra-Estruturas, Vasyl Lozynsky, por suspeita de receber um suborno de 400 mil dólares para supostamente “facilitar” a compra de geradores a preços inflacionados.

O ministro da Defesa da Ucrânia disse hoje que o afastamento do vice-ministro da Defesa, Vyacheslav Shapovalo, na sequência de alegados casos de corrupção permite ao país manter a confiança da sociedade e dos parceiros internacionais.

“Mesmo que estas acusações sejam infundadas, a saída de Shapovalo vai “preservar a confiança da sociedade e dos parceiros internacionais, assim como assegurar a objetividade” e todo os esforços para o esclarecimento do caso, disse o Ministério da Defesa através de um comunicado.

O vice-ministro da Defesa do Governo de Kiev e vários altos funcionários do Estado ucranianos demitiram-se hoje após notícias publicadas na imprensa da Ucrânia sobre alegadas compras de material logístico militar a “preços inflacionados”, nomeadamente alimentos.

Entre os funcionários que se demitiram na sequência de supostos casos de corrupção contam-se o vice-ministro da Defesa e responsável pelo apoio logístico às Forças Armadas, Vyacheslav Shapovalov, o vice-chefe da Administração Presidencial, Kyrylo Tymoshenko, e o vice-Procurador-Geral, Oleksiy Simonenko.

Os afastamentos de hoje seguem-se à demissão do vice-ministro ucraniano das Infra-Estruturas, Vasyl Lozynsky, por suspeita de receber um suborno de 400 mil dólares para supostamente “facilitar” a compra de geradores a preços inflacionados, numa altura em que o país enfrenta cortes generalizados de energia na sequência dos ataques das forças russas contra as infra estruturas energéticas.

Tymoshenko é um dos poucos ajudantes do atual chefe de Estado que se mantinha no cargo desde a eleição de Zelensky, em 2019, e que supervisionou recentemente os projetos de reconstrução das instalações danificadas pelos ataques russos.

Tymoshenko esteve envolvido em vários escândalos durante e antes da última invasão da Rússia.

Em outubro do ano passado, foi acusado de utilizar um veículo todo-o-terreno doado à Ucrânia pelo grupo norte-americano General Motors para fins humanitários.

Após as revelações sobre o uso do veículo, Tymoshenko disse que estava a transferir o veículo para uma área próxima da linha da frente.

Por outro lado, segundo o jornal Ukrainska Pravda, o vice-Procurador-Geral, Oleksiy Symonenko, esteve recentemente de férias em Espanha, embora as viagens ao estrangeiro, exceto para fins profissionais, sejam proibidas aos ucranianos do sexo masculino, com idade para combater.

De acordo com a publicação, Oleksiy Simonenko viajou num automóvel que pertencia a um empresário ucraniano, fazendo-se acompanhar de um guarda-costas.

Na segunda-feira, o chefe de Estado, Volodymyr Zelensky, anunciou que preparava mudanças nas altas esferas do poder e proibiu os altos funcionários de viajarem para o estrangeiro.

Numa mensagem publicada no portal oficial, o chefe de Estado indicou, na noite de segunda-feira, que tinha decidido levar a cabo “mudanças” na equipa mas não forneceu detalhes sobre as alterações.

“Hoje (segunda-feira) já tomámos decisões sobre os funcionários e amanhã (hoje) vamos fazer alterações ao nível dos ministérios e do Governo central e em organismos regionais”, afirmava o Presidente.

Hoje, confirmou-se o afastamento de Kyrylo Tymoshenko que se referiu à renúncia divulgando uma carta oficial através da rede social Twitter.

“Agradeço ao Presidente da Ucrânia pela confiança e oportunidade que me deu para fazer coisas boas todos os dias e a cada minuto”, escreveu.

Tymoshenko agradeceu “a cada um dos chefes das administrações militares regionais pelo apoio”.

“Com vocês construímos a equipa mais poderosa do país. Vocês são geniais. Vocês são os verdadeiros guerreiros da luz!”, escreveu.

De acordo com a publicação ucraniana Hromdska prevê-se que Tymoshenko venha a ser substituído por Oleksy Kuleba, atualmente chefe da Administração Militar Regional de Kiev.

O mesmo jornal refere que os chefes das administrações militares e civis nas regiões de Sumy, Dnipre, Zaporijia e Kherson também vão renunciar os cargos que ocupam, nas próximas horas.

O alegado escândalo de corrupção na cúpula do poder ucraniano ocorre numa altura em que Kiev tenta convencer os países aliados de Kiev a fortalecer o abastecimento bélico sendo que o pedido mais importante prende-se com o envio de blindados Leopard 2, de fabrico alemão.

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