Ucrânia: Mais de 1.380 pessoas detidas em protestos na Rússia contra a mobilização parcial

“Pelo menos 1.386 pessoas foram detidas em 38 cidades”, afirmou hoje na rede social Telegram a organização independente OVD-Info, que rastreia as detenções e já foi declarada “agente estrangeiro” pelas autoridades russas.

Pelo menos 1.386 pessoas foram detidas na Rússia nos protestos realizados na quarta-feira contra a mobilização parcial de cidadãos decretada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, para combaterem na guerra na Ucrânia, declarou hoje uma organização não-governamental (ONG).

“Pelo menos 1.386 pessoas foram detidas em 38 cidades”, afirmou hoje na rede social Telegram a organização independente OVD-Info, que rastreia as detenções e já foi declarada “agente estrangeiro” pelas autoridades russas.

Na tarde de quarta-feira, a OVD-Info havia informado que mais de 1.113 pessoas já tinha sido detidas em protestos em 38 cidades russas.

A organização de direitos humanos relatou detidos em Moscovo, São Petersburgo, Ecaterimburgo, Perm, Ufa, Krasnoyarsk, Chelyabinsk, Irkutsk, Novosibirsk, Yakutsk, Ulan-Ude, Arkhangelsk, Korolev, Voronezh, Zheleznogorsk, Izhevsk, Tomsk, Salavat, Tyumen, Volgogrado, Petrozavodsk, Samara, Surgut, Smolensk, Belgorod e outras cidades.

Segundo a OVD-Info, a polícia agiu com violência contra os manifestantes e entre os detidos estão vários jornalistas.

O Ministério Público de Moscovo advertiu de que punirá com até 15 anos de prisão a organização e participação em ações ilegais.

Também será punida administrativa ou criminalmente a difusão de convocatórias para participar em ações ilegais ou para realizar outros atos ilegais nas redes sociais, bem como fazer apelos a menores de idade para participarem em atos ilegais.

De acordo com os últimos dados da OVD-Info, 509 pessoas foram detidas em Moscovo e pelo menos 541 em São Petersburgo, a segunda maior cidade do país.

Na quarta-feira, o Presidente russo declarou que o número de pessoas convocadas para o serviço militar ativo seria determinado pelo Ministério da Defesa, e o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, disse numa entrevista televisiva que 300.000 reservistas com experiência relevante de combate e serviço serão inicialmente mobilizados.

Além da convocação de protestos, a Rússia tem também assistido a um acentuado êxodo de cidadãos desde que Putin ordenou que o exército invadisse a Ucrânia, há quase sete meses.

No discurso que proferiu na quarta-feira ao país, em que anunciou uma mobilização parcial dos reservistas, Vladimir Putin também fez uma ameaça nuclear velada aos inimigos russos do Ocidente.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,4 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.916 civis mortos e 8.616 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Recomendadas

Ministra sinaliza que trabalhadores que recebem salário mínimo não terão perda de poder de compra em 2023

Vem aí uma “negociação intensa”, antecipou a ministra do Trabalho, à saída da reunião em que apresentou aos parceiros sociais as propostas do Governo para o acordo de rendimentos. Entre elas, está a vontade que o salário mínimo suba mais do que a inflação.

Fenadegas pede apoio para adegas cooperativas e produtores de vinho

A Fenadegas diz que “contrariamente às expetativas criadas, nas medidas anunciadas pelo governo para colmatar os efeitos negativos desta crise, não foi previsto nenhum apoio específico para os produtores de vinho e suas unidades de vinificação”.

Goldman Sachs prevê queda de 1% do PIB da zona euro até ao segundo trimestre

“Os sectores químico e automóvel da Alemanha confirmam que o ritmo de paralisações por causa do aumento dos custos de energia provavelmente acelerará”, reforçam os economistas do Goldman Sachs.
Comentários