Ucrânia. Marcelo diz que Portugal está “do lado certo do contexto geopolítico”

O Presidente da República sustentou que Portugal “está do lado certo do contexto geopolítico”, mantendo-se “no núcleo duro” da União Europeia, em condições de “desenvolver” a relação transatlântica e fomentando as relações ibero-americanas e no âmbito da CPLP.

costa e marcelo
Mário Cruz/LUSA

“Portugal está do lado certo do contexto geopolítico que existe, que se percebe, e que está a ser definido. Continua a querer ser plataforma – que é uma vocação secular e histórica – entre culturas e civilizações e, portanto, não deitar fora o multilateralismo, não deitar fora as organizações internacionais, fomentar o diálogo com os vários espaços que existem, por fracos que eles sejam, ou precários que sejam”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava no encontro “Portugal XXI: País de futuro”, que decorreu hoje na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, também com a participação da ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, do vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz, e do presidente do Portugal XXI, Hugo Nogueira.

Numa altura em que, segundo Marcelo, a “Europa sente que, para cumprir a sua missão interna e externa, tem de encontrar uma fórmula (…) que é uma Europa ampla, em que há abertura para caberem aqueles que, nos Balcãs Ocidentais ou no Leste, queiram caber na Europa”, o Presidente da República acrescentou que Portugal “está do lado certo da União Europeia”.

“Está no núcleo duro da União Europeia e, nesse núcleo duro, tem condições para ser cada vez mais importante, porque o núcleo duro vai ser cada vez mais núcleo duro: mais forte, mas menos abrangente, e, dentro do núcleo duro, está a fazer as ligações bilaterais próprias do núcleo duro”, frisou.

Continuando com a análise do lugar de Portugal no atual cenário geopolítico, o chefe de Estado referiu que, no que se refere às relações transatlânticas, Portugal “está em condições de poder desenvolver, potenciar, fomentar no futuro”.

“Há ‘dossiers’ que ficaram parados durante um tempo: esses ‘dossiers’ podem ‘rearrancar’ ou estão a ‘rearrancar’”, referiu.

No que se refere às relações ibero-americanas, o Presidente voltou a dizer que Portugal “está do lado certo”, o que considerou ser “difícil, porque é um mundo ibero-americano que está a fazer uma viragem para um lado, depois de ter feito para outro lado, e é sempre com algum radicalismo à mistura”. “Mas Portugal está lá e está bem”, sublinhou.

O Presidente abordou ainda as relações com África e, designadamente, com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), afirmando que Portugal “está a fazer aquilo que deve fazer” no âmbito desta organização.

“Não é fácil, porque a CPLP é ‘cobiçada’ por outras comunidades linguísticas e com outras lógicas estratégicas, e Portugal está no núcleo duro. Portugal, e mais alguns Estados: segurando os demais e motivando e mobilizando os demais, para que não haja rarefação”, vincou.

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