Ucrânia: Suspensão dos direitos aduaneiros pela UE apoiará economia “ao máximo”, diz Zelensky (com áudio)

“Esta [medida] permitir-nos-á apoiar a atividade económica tanto quanto possível na Ucrânia e preservar a nossa produção nacional”, frisou Zelensky numa mensagem de vídeo divulgada na rede social Telegram.

Volodymyr Zelensky/Twitter

A proposta da Comissão Europeia de suspender, por um ano, os direitos sobre todas as exportações ucranianas para a União Europeia (UE) permitirá “apoiar ao máximo a atividade económica”, referiu ontem o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

“Esta [medida] permitir-nos-á apoiar a atividade económica tanto quanto possível na Ucrânia e preservar a nossa produção nacional”, frisou Zelensky numa mensagem de vídeo divulgada na rede social Telegram.

“Esta decisão não deve ser vista apenas no contexto ucraniano”, realçou o chefe de Estado ucraniano.

“Exportações suficientes dos nossos produtos para os mercados europeu e mundial serão uma importante ferramenta anticrise e contribuirá para estabilizar os mercados”, acrescentou.

Zelensky acusou a Rússia de pretender “criar uma crise global de preços”, especialmente no setor alimentar.

O Presidente ucraniano manifestou-se ainda “pessoalmente grato” aos 27 Estados-membros pela “importante decisão”, depois de ter discutido “os detalhes desta proposta com a presidente [da Comissão Europeia] Ursula von der Leyen”.

A proposta apresentada pela Comissão Europeia precisa agora de ser considerada e aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE.

O Reino Unido já tinha anunciado na segunda-feira a abolição dos seus direitos aduaneiros sobre produtos importados da Ucrânia.

Em comunicado, o executivo comunitário anunciou hoje esta proposta, explicando que “constitui um gesto de apoio sem precedentes para um país em guerra”, prevendo, além da suspensão dos direitos sobre as importações da UE na Ucrânia, a cessação também por um ano de “todas as medidas antidumping e de salvaguarda da UE em vigor sobre as exportações de aço ucraniano”.

De acordo com a instituição, “esta medida de grande alcance foi concebida para ajudar a impulsionar as exportações da Ucrânia para a UE”, visando “aliviar a difícil situação dos produtores e exportadores ucranianos face à invasão militar da Rússia”.

Citada pela nota, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destaca que “a agressão não provocada e injustificada da Rússia está a afetar gravemente a economia ucraniana”.

“Tenho estado em discussões com o Presidente [ucraniano] Zelensky sobre formas de apoiar a economia, para além da assistência macrofinanceira e das subvenções que estamos a conceder, e ambos concordámos com a importância crucial de uma rápida e ampla suspensão dos direitos de importação para impulsionar a economia da Ucrânia”, acrescenta a responsável.

“O passo que estamos a dar hoje responde a este apelo e irá facilitar grandemente a exportação de bens industriais e agrícolas ucranianos para a UE”, adianta a líder do executivo comunitário.

Em 2021, o comércio bilateral UE-Ucrânia atingiu o seu nível mais elevado desde a entrada em vigor da Área de Comércio Livre Profunda e Abrangente, num total mais de 52 mil milhões de euros.

Com a invasão russa da Ucrânia, a economia ucraniana e o seu comércio com o mundo foram afetados.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia deve cair 35% este ano, de acordo com uma previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicada em 19 de abril.

Numa entrevista à Lusa ontem divulgada, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, considerou que “o pior erro” da UE seria “não abrir a porta aos ucranianos”, após a solicitação da Ucrânia para aderir ao bloco comunitário.

Roberta Metsola defendeu ainda que “muito pode ser feito de forma tangível no momento presente”, por exemplo em termos de “acordos comerciais, acordo de aviação, acordos de transporte”, entre outros, para “aumentar as relações económicas” entre Bruxelas e Kiev.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou já a fuga de mais de 12 milhões de pessoas, mais de 5 milhões das quais para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU – a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Recomendadas

Portugal dispõe de mais 51 milhões para financiar sector da agricultura em crise

Portugal vai disponibilizar mais 51 milhões de euros de fundos para os agricultores, no âmbito do aumento de custos de produção, depois de Bruxelas ter aprovado a mobilização de verbas do desenvolvimento rural, anunciou esta terça-feira a ministra da Agricultura.

Agendas Mobilizadoras não tinham “verbas específicas” para os Açores

O ex-ministro da Economia Siza Vieira insistiu esta terça-feira que não foram definidas “verbas específicas” para os Açores nas Agendas Mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e mostrou-se surpreendido com a “celeuma” levantada pelo processo na região.

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta terça-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta terça-feira.
Comentários