Ucrânia: UE quer ação do Conselho de Direitos Humanos da ONU por abusos da Rússia

Em Genebra, negociações informais no Conselho de Direitos Humanos, pelos 26 países da UE que se concertaram, procuram reforçar a vigilância sobre as violações do regime do Presidente russo Vladimir Putin, nomeadamente através da nomeação de um especialista em direitos humanos para trabalhar em Moscovo.

Os países da União Europeia (UE), com exceção da Hungria, pretendem avançar com uma resolução prevendo maior vigilância do Conselho de Direitos Humanos da ONU a abusos cometidos pela Rússia, admitiram hoje diplomatas.

Em Genebra, negociações informais no Conselho de Direitos Humanos, pelos 26 países da UE que se concertaram, procuram reforçar a vigilância sobre as violações do regime do Presidente russo Vladimir Putin, nomeadamente através da nomeação de um especialista em direitos humanos para trabalhar em Moscovo.

Uma equipa de investigadores apoiados pela ONU já está a investigar abusos relacionados com a guerra na Ucrânia e há agora esforços para redigir uma resolução, liderada pelo Luxemburgo, para criar um “relator especial” para a Rússia, para denunciar violações pelo regime de Vladimir Putin, como detenções arbitrárias, detenções de civis, encerramento de organizações não governamentais e pressão sobre os ‘media’, de acordo com relatos de diplomatas ocidentais junto das Nações Unidas.

De acordo com esses relatos, o Governo da Hungria – liderado por Viktor Orban – tem sido o único dos países da UE a resistir aos esforços para punir a Rússia pela invasão da Ucrânia, tendo rejeitado associar-se à resolução.

O Governo russo tomou uma série de medidas para limitar a atividade de dissidentes que criticam a invasão da Ucrânia.

Na terça-feira, Vaclav Balek, embaixador checo em Genebra, falou em nome da UE para dizer que a comunidade condena a censura dos ‘media’, o silenciamento de vozes independentes e o abuso da legislação russa que proíbe o chamado “descrédito” das forças armadas russas.

A Rússia já reagiu a esta posição, acusando alguns países da UE de protegerem o “nazismo” e culpando outros por restringirem as transmissões da rede de canais televisivos Russia Today no Ocidente.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,2 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.827 civis mortos e 8.421 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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