Ucrânia: Zelensky diz que coordenou com Truss “aumentar a pressão” sobre a Rússia

Em comunicado, Downing Street adiantou que Truss comunicou a Zelenski que o Reino Unido manterá seu “apoio à liberdade e à democracia” no seu país, que prevê visitar em breve.

Volodymyr Zelensky/Twitter

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje ter coordenado com a nova primeira-ministra britânica, Liz Truss, “aumentar a pressão” sobre a Rússia no sétimo mês da invasão da Ucrânia por Moscovo.

“O objetivo é acabar com a agressão e levar os perpetradores à justiça”, escreveu Volodymyr Zelensky na rede social Twitter, assegurando ser o “primeiro líder estrangeiro” a falar com Liz Truss depois de ter sido confirmada hoje como primeira-ministra.

Em comunicado, Downing Street adiantou que Truss comunicou a Zelenski que o Reino Unido manterá seu “apoio à liberdade e à democracia” no seu país, que prevê visitar em breve.

Na sua primeira conversa com um presidente estrangeiro após assumir hoje funções, a chefe do governo britânico, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, enfatizou que a Ucrânia “pode contar com a ajuda de longo prazo do Reino Unido”, salientou a mesma fonte.

Os dois líderes discutiram “a necessidade de fortalecer a segurança global e as medidas necessárias para cortar os fundos que estão a alimentar a máquina de guerra de Putin”, acrescentou uma porta-voz da Truss.

A Rússia afirmou hoje não esperar qualquer melhoria nas relações com o Reino Unido, indicou o porta-voz do Kremlin.

“A julgar pelas declarações de Truss, proferidas quando ainda era ministra dos Negócios Estrangeiros (…), podemos dizer, com grande certeza, que não devemos esperar mudanças para melhor”, disse Dmitry Peskov, citado pela agência de notícias oficial russa TASS.

Liz Truss é conhecida pela “linha dura” em relação à Rússia, que considerou um “país agressor”, nomeadamente devido à invasão russa da Ucrânia, em curso desde 24 de fevereiro.

A ofensiva militar causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de sete milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que entrou hoje no seu 195.º dia, 5.718 civis mortos e 8.199 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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