Ulrich Brandenburg, embaixador da Alemanha em Portugal: Dimensão da vaga de refugiados obriga a solução europeia

No Dia da Unidade alemã, Ulrich Brandenburg, embaixador da República Federal da Alemanha, fala do atual momento na Europa, da crise dos refugiados e do esforço do seu país. Sobre Portugal, realça os 450 milhões de investimento feito no país por empresas alemãs e nos 60 mil empregos que estão envolvidos nos vários projetos. A […]


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No Dia da Unidade alemã, Ulrich Brandenburg, embaixador da República Federal da Alemanha, fala do atual momento na Europa, da crise dos refugiados e do esforço do seu país. Sobre Portugal, realça os 450 milhões de investimento feito no país por empresas alemãs e nos 60 mil empregos que estão envolvidos nos vários projetos.

A Alemanha está a festejar os 25 anos da Unificação. Num momento crucial que a Europa vive, como encara a crise dos refugiados?
A Alemanha já recebeu muitos refugiados e imigrantes desde o fim da II Guerra: depois de 1945, foram cerca de 13 milhões de pessoas expulsas do leste europeu, aproximadamente 3,8 milhões de pessoas que fugiram da então RDA para a parte ocidental, sendo que três milhões de pessoas vieram dos países da antiga União Soviética. Como consequência da guerra na ex-Jugoslávia nos anos 90, centenas de milhares de refugiados foram acolhidos na Alemanha. A estes juntam-se milhões de trabalhadores migrantes e seus descendentes. Porém, a dimensão da atual vaga de refugiados de guerra e requerentes de asilo coloca-nos perante desafios que só podem ser resolvidos num contexto europeu mais alargado.

O eleitorado alemão tem mostrado sinais de cansaço com o tema dos refugiados. Até onde pode a Alemanha ajudar?
As obrigações decorrentes da Convenção de Genebra relativa ao Estatuto dos Refugiados são iguais para todos os países. Em termos comparativos, dentro da UE a contribuição da Alemanha é desproporcionalmente elevada. O que agora urge é combatermos as razões que levam as pessoas a fugir, apoiar os países vizinhos das zonas de conflito, restringir o tráfico de seres humanos e a migração descontrolada, e distribuir de forma mais solidária os encargos entre os parceiros da UE. Estou confiante de que assim também poderemos continuar a contar com o apoio da opinião pública.

A Chanceler Merkel tem-se desdobrado em contactos para convencer os parceiros europeus a aceitarem quotas de migrantes. Há países da UE contra as quotas e conta a aceitação de migrantes. Isso significa um corte com os princípios de base da criação da União Europeia?
Os desafios atuais dizem respeito a toda a Europa e continuaremos a empenhar-nos para que todos os Estados europeus assumam as suas responsabilidades.

A UE tem um líder ou precisa de um líder?
Através do Tratado da União Europeia, a UE dispõe de uma estrutura de liderança clara e eficaz. O Tratado não prevê a figura de líder.

A Alemanha tem receio de se assumir como o líder?
O contributo da Alemanha no âmbito da UE corresponde ao seu número de habitantes e à sua dimensão económica, o que a torna tradicionalmente o maior contribuinte líquido. Além disso, existem muitos desafios atuais em que a Alemanha se esforça por assumir um papel construtivo.

A Europa precisa de ser revitalizada economicamente. O que pode a Alemanha, com superavit nas contas públicas, vir a fazer? Deve estimular mais o consumo interno? Deve transferir mais recursos para os países do sul?
A Alemanha não tem um superavit orçamental, tem sim, desde há pouco, um orçamento equilibrado a nível do Estado federal. A sua dívida pública mantém-se claramente acima dos critérios estabelecidos no Tratado de Maastricht. Por isso, a margem disponível para investimento público é reduzida. Contudo, a quota de investimento estatal na Alemanha subiu significativamente desde 2005. E o aumento dos salários em mais de 3% este ano será benéfico para a procura interna.

A crise na VW vai abanar o pilar económico alemão? É possível a intervenção pública na empresa?
Eu não posso comentar questões relativas à política comercial do Grupo Volkswagen. Espero que as acusações que foram levantadas sejam rápida e inteiramente esclarecidas, e que as consequências para a economia não sejam muito elevadas.

Deve a Europa caminhar para o federalismo?
A própria República Federal da Alemanha tem como princípio organizativo o federalismo; as suas razões encontram-se na nossa história. É óbvio que este modelo não pode ser simplesmente transposto para a realidade europeia. Porém, todos os Estados-membros da UE já transferiram importantes áreas de competência para Bruxelas.

Deve existir uma Europa a duas velocidades?
Não consigo perceber bem o que isso poderá significar. Em todo o caso, os tratados europeus explicitam o objetivo conjunto de uma união cada vez mais sólida – que, com todas as divergências existentes, continua a existir.

A Alemanha vai continuar a apostar forte em Portugal? Há investimentos que poderão ser descontinuados?
Apenas no ano passado, as empresas alemãs investiram cerca de 450 milhões de euros em Portugal. Isto é a prova de uma grande confiança depositada neste país. Em larga medida, trata-se de investimento na indústria, mas crescentemente também nos setores de alta tecnologia – o que me deixa particularmente satisfeito. Os exemplos específicos são do conhecimento de todos. São cerca de 60 mil os portugueses que trabalham em empresas de investidores alemães.

Acredita que o investimento da VW na Autoeuropa é para continuar?
Eu tenho a impressão de que a Autoeuropa é um local de produção muito bem-sucedido dentro do Grupo VW.

Vítor Norinha/OJE

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