Um ano após a morte de Jamal Khashoggi, sauditas gastam milhões para melhorar comunicação com os EUA

A 1 de novembro, a embaixada da Arábia Saudita contratou a empresa de comunicação LS2group, com sede no estado norte-americano de Iowa, por 1,5 milhões de dólares.

A Arábia Saudita está a gastar 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,3 milhões de euros) para recomeçar as suas tentativas de lobby nos Estados Unidos em favor do país e estimular o investimento, revela a “Business Insider”.

Logo depois de os sauditas terem sido associados ao assassinato do jornalista do “Washington Post” Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, cinco empresas de comunicação norte-americanas – Gibson Dunn, Gladstone Place, Harbor Group, Glover Park Group e BGR Group – abandonaram a Arábia Saudita no período de apenas uma semana.

No entanto, um ano e dois meses depois do sucedido, a Arábia Saudita estará novamente a tentar estender a mão a Washington. A 1 de novembro, a embaixada da Arábia Saudita contratou a empresa de comunicação LS2group, com sede no estado norte-americano de Iowa, por 1,5 milhões de dólares. A tarefa era, segundo os registos públicos: “Informar o público, funcionários do governo e a comunicação social sobre a importância de promover e promover fortes relações entre os Estados Unidos e o Reino da Arábia Saudita”.

As contratações não pararam por aqui. Os sauditas, através do LS2group, contrataram o Summit Information Services, sediado no Colorado, a 22 de novembro, e o Hathaway Strategies, de Indianápolis, a 26 de novembro.

Após a morte de Jamal Khashoggi, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, afirmou que assume “plena responsabilidade” pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, crítico do regime, mas negou ter ordenado o homicídio. “Este foi um crime hediondo. Mas assumo plena responsabilidade como líder na Arábia Saudita, especialmente porque foi cometido por indivíduos que trabalham para o Governo saudita”, disse Mohammed bin Salman, em entrevista ao programa norte-americano “60 minutos”.

Jamal Khashoggi foi o 28º jornalista assassinado em 2018

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