Um ano de Carlos Moedas. Oposição lança críticas à liderança do autarca da Câmara de Lisboa

No geral, PS, PCP e BE fazem uma avaliação negativa da liderança do presidente da Câmara Municipal de Lisboa e todos os partidos falam em retrocessos ou más decisões, especialmente no que toca à habitação.

Carlos Moedas
Carlos Moedas

Há um ano, Carlos Moedas chegava ao cargo de presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e, posto este tempo de liderança, os partidos da oposição – PS, PCP e BE – criticaram, ao Jornal Económico (JE) a gestão do autarca, principalmente na que toca à área da habitação.

“Carlos Moedas lidera uma equipa com as prioridades erradas e que se tem revelado incapaz de gerir a cidade no dia-a-dia”, apontou o PS em comunicado.

Um dos exemplos dados dessas “prioridades erradas” remete para a habitação e o PS destacou a “oposição cerrada de Carlos Moedas a qualquer medida de regulação ao Alojamento Local, na cidade europeia com maior número de AL por 1.000 habitantes”.

O PS sublinhou também como negativa “a situação caótica na higiene urbana, mas também a incapacidade de ter a funcionar o transporte escolar no primeiro mês de aulas”.

Por sua vez, o vereador (sem pelouro) do PCP, João Ferreira, disse ao JE que “em termos globais, o aspeto que se possa destacar é o de ser evidente uma grande impreparação e incapacidade para lidar com aqueles que são os principais problemas da cidade”.

“Pelo contrário, alguns deles aquilo que se vê é que se têm vindo a agravar”, referiu ainda João Ferreira.

O comunista justifica a má avaliação com a habitação “em que mesmo alguns projetos que estavam mais ou menos lançados ou em desenvolvimento foram travados”. “O caso do programa renda acessível do Alto do Restelo é apenas um exemplo”, destacou.

“Em campanha eleitoral, tínhamos um candidato Carlos Moedas que era muito vocal, muito crítico na denúncia dos fogos municipais que estavam desaproveitados. Chegou a dizer que 100 dias seriam suficientes para colocar esses fogos prontos a serem habitados e não é isso que se vê. Aliás, as verbas dedicadas no Orçamento Municipal à habitação foram encurtadas face ao que vinha de trás”, frisou.

João Ferreira afirmou ainda que “mesmo os 40 milhões que têm sido falados para a reabilitação dos bairros municipais é uma verba que fica muito aquém do que são as necessidades”.

Em linha com os restantes partidos, a vereadora do BE, Beatriz Gomes Dias, fez uma “avaliação muito negativa”, ao JE, deste primeiro ano de Carlos Moedas à frente da CML.

“A cidade está sem uma direção, ou seja, não se consegue perceber quais são os projetos que Carlos Moedas tem para a Câmara Municipal de Lisboa. Os projetos que estão a acontecer são aqueles que vêm do executivo anterior”, liderado pelo agora ministro das Finanças, Fernando Medina.

Também Beatriz Gomes Dias falou na habitação: “Não há propostas novas à crise que existe na habitação, nem a requalificação dos bairros sociais, [que era] uma das bandeiras de campanha de Carlos Moedas”, enalteceu.

Ainda assim, para o BE nem tudo tem sido mau e Beatriz Gomes Dias destacou como positivo “o projeto de transportes públicos gratuitos, que o BE apresentou na CML, que depois foi concretizado”. Ainda assim, a bloquista não deixa de mencionar que a medida não cobre todo o público-alvo deveria cobrir”, já que deixa de fora os estudantes deslocados.

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