“Um banco é uma plataforma tecnológica com serviços financeiros”, refere diretora de sistemas do Montepio

Sara Candeias apela a que as decisões de negócio venham dos dados “mais do que de uma intuição, experiência ou análise da concorrência, porque a intuição e experiência podem falhar, mas os dados não”.

Fabrizio Bensch/Reuters

A diretora de Sistemas de Informação, Dados e Analítica do Banco Montepio considera que hoje em dia uma empresa é uma plataforma tecnológica com vários intervenientes conectados – e os bancos tradicionais inserem-se nessa comparação.

“O que é um banco? O que é uma organização atualmente? É uma plataforma tecnológica que tem serviços, neste caso serviços financeiros, com vários stakeholders a interagir nessa plataforma, cuja disponibilização segura e concertada tem de estar implementada”, afirmou Sara Candeias, na conferência “Data Driven Leadership”, promovida esta quinta-feira pela Microsoft Portugal e da qual o Jornal Económico é media partner.

Na sua opinião, a transformação digital a que assistimos dispôs uma elevada quantidade de dados aos empresários e consumidores, mas uma estratégia de dados implica uma transformação cultural numa empresa, que envolva a liderança e tenha subjacente um programa de responsabilização dos proprietários desses domínios de dados.

O principal desafio é transformar uma organização ao ponto de os dados estarem centralizados. “As decisões de negócio vêm desses dados mais do que de uma intuição, experiência ou análise da concorrência, porque a intuição e experiência podem falhar, mas os dados não”, declarou.

O diretor executivo de Canal e Parceiros da Microsoft Portugal defende que o processo de criação de uma data-driven company, uma empresa que molda o negócio com base nos dados, tem cincos eixos: estratégia executiva, cultura, tecnologia, modelo operacional e use cases (casos de uso) que estimulem a adoção.

O ponto de partida é instalar uma plataforma de dados, assente na cloud, que consiga ligar-se a fontes de dados internas e externas e armazená-los para que possam ser organizados e acedidos, defende. “Tem de funcionar em cima de uma estrutura cloud para lhe dar a agilidade, a velocidade e a escalabilidade de que os dados e as aplicações precisam para criar valor à empresa”, esclareceu Abel Aguiar.

A União Europeia (UE) estima que só 10% dos dados criados nos 27 Estados-membros estejam a ser aproveitados, mas o volume de produção de dados duplica a cada 18 meses e prevê-se que nos próximos três anos a economia de dados europeia alcance no um valor superior a 829 mil milhões de euros, sendo que em 2018 representava menos de metade.

“Segundo os estudos e as observações que são feitas, quando está a liderança por detrás desta alteração é que de facto os resultados são melhores. A cultura nunca se muda por decreto. Em cima disto é que vêm as infraestruturas tecnológicas, as plataformas de dados, todos os temas de governance que não existiam antes, modelos operacionais mais ágeis, DevOps, machine learning e toda a parte mais técnica”, defendeu o diretor de Canal e Parceiros da Microsoft Portugal.

Abel Aguiar alertou ainda para a escassez de talento, pois Portugal está no fim da tabela da União Europeia em termos de capital humano, e recordou que em 2020/2021 matricularam-se em TIC [Tecnologias da Informação e Comunicação] 11.500 pessoas contra 9.100 em 2016. “2.500 pessoas é muito positivo, mas é manifestamente curto quando estamos a falar de 36 mil pessoas a mudar de emprego no primeiro trimestre”, advertiu.

A UE tem hoje cerca de 153 mil empresas de dados, 542 mil utilizadores de dados e 6,6 milhões de profissionais de dados, mas até 2025 esses números vão aumentar para 173 mil organizações, 582 mil pessoas e 9,3 milhões de especialistas da área.

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