Um terço dos portugueses não tem dinheiro para ter uma vida digna

Mais de metade dos consumidores portugueses (51%) dizem que não paga, dentro do prazo, as faturas “por falta de liquidez”.

Mais de metade dos consumidores portugueses (51%) afirmam que não paga as faturas dentro do prazo por falta de dinheiro, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira.

De acordo com o Relatório de Pagamentos Europeu do Consumidor, desenvolvido pela Intrum Justitia e citado pela Lusa, apesar de 94% dos inquiridos considerarem que “é importante pagar sempre” as contas dentro do prazo, 29% afirma que, neste momento, “não tem dinheiro suficiente para ter uma vida digna”.

O estudo, feito a partir de dados recolhidos numa pesquisa realizada em simultâneo a 21317 cidadãos europeus de 21 países e que contou com a participação de 1010 portugueses, visou conhecer a situação e saúde financeira das famílias face ao atraso nos pagamentos.

Segundo o trabalho, mais de metade dos consumidores portugueses (51%) dizem que não paga, dentro do prazo, as faturas “por falta de liquidez”, ao passo que os restantes 49% referem que não pagam atempadamente por outros motivos, tais como “esquecimento ou vontade”.

Cerca de metade dos consumidores portugueses entrevistados referiu ainda que não pagou algumas das suas contas a tempo nos últimos 12 meses, uma percentagem idêntica à média europeia (48%).

O trabalho conclui também que 17% dos inquiridos pediram dinheiro emprestado nos últimos seis meses, um ligeiro aumento face ao ano anterior (15%).

E mais de metade das pessoas que pediram dinheiro emprestado (65%) escolheu a família como principal fonte de financiamento, seguindo-se os amigos (23%), enquanto 14% pediu um empréstimo ao banco.

Apesar de cumprirem a obrigação de pagar as suas contas, 59% afirma que depois de as pagar, “fica preocupado por recear não ter dinheiro suficiente”.

Dos portugueses inquiridos, 58% afirmam que não conseguem poupar dinheiro todos os meses. Entre os 42% que economizam dinheiro mensalmente, afirmam fazê-lo para fazer face a despesas imprevistas, para viajar e para o caso de perderem o emprego.

Relativamente ao âmbito familiar, 46% dos entrevistados portugueses acreditam que vão precisar de ajudar financeiramente os seus filhos, mesmo quando estes saírem de casa, 29% confessam que por razões financeiras os seus filhos não podem sair de casa tão cedo como desejariam e 27% defendem que os filhos vão ter maiores dificuldades financeiras do que eles.

As finanças também afetam a situação dos casais, pelo que 20% dos inquiridos em Portugal afirmam que as razões económicas são um dos motivos para manterem ou prolongarem o seu relacionamento, um valor ligeiramente menor do que o verificado no ano passado (24%).

 

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