Um tirano é um tirano, ponto final

1. Fidel Castro morreu. O líder revolucionário e ex-ditador cubano, que esteve no poder durante 49 anos, morreu da forma que negou a muitos dos seus concidadãos: em paz.

E apesar de ser hoje evidente que o regime cubano viola sistematicamente os direitos humanos dos seus cidadãos, transformando a ilha numa gigantesca prisão, ainda há quem tenha uma visão romântica de Fidel Castro e da revolução cubana. Fidel detinha poder absoluto, de vida ou morte, sobre os seus concidadãos: independentemente de ter sido mais ou menos “bonzinho” ou “progressista” em algumas matérias, era um ditador que prendia e perseguia quem pensava de forma diferente. Um tirano que, invocando belos princípios, durante meio século condenou os seus concidadãos à miséria mais abjeta. Não há embargo americano que possa justificar estas atrocidades. E a incapacidade que alguma esquerda portuguesa tem de constatar isto só tem paralelo na cegueira de alguma direita em relação aos crimes cometidos por Salazar, Pinochet e outros que tais.

Continuamos a ser um povo que pouco preza a liberdade. Um ditador é um ditador, ponto. E a forma como decorreram as exéquias de Castro, com o povo a ser proibido de comprar álcool (não fosse alguém ousar festejar a morte do tirano), diz tudo sobre a verdadeira natureza do regime cubano.

2. A demissão de António Domingues da liderança da Caixa Geral de Depósitos só peca por ser tardia. Independentemente do mérito de António Domingues e da sua equipa, que não está em causa, era evidente que os gestores da Caixa teriam de apresentar as respetivas declarações de rendimentos: quem trabalha num banco público deve sujeitar-se à lei. Ninguém apontou um revólver a António Domingues e aos seus colegas, quando estes gestores foram convidados para integrar a administração da Caixa.

Existissem ou não garantias em sentido contrário por parte do Governo, quem ocupa cargos em instituições públicas deve estar disposto a cumprir a lei que obriga à divulgação do património, pois tem necessariamente de ter espírito de missão e de serviço público. É certo que a maioria das pessoas não tem essa vocação. Só que ninguém é obrigado a trabalhar num banco público. E não colhe o argumento de que, se o Estado quer ter bons gestores na Caixa, deve sujeitar-se a todas as exigências que os mesmos coloquem para se dignarem a fazer-nos o favor de gerirem o maior banco português. Há limites.

A escolha de Paulo Macedo para liderar a Caixa é uma boa notícia. Macedo é um gestor respeitado, com provas dadas tanto no setor privado como no serviço público. Esperemos, de resto, que desta vez o processo de nomeação dos administradores da Caixa decorra sem incidentes e sem episódios humilhantes, como aquele em que o supervisor europeu mandava estudar alguns dos notáveis propostos para o ‘board’ do banco público.

P.S.: Os pormenores ainda não são suficientemente claros, mas tudo indica que o desastre aéreo que vitimou a equipa do Chapecoense tenha sido causado por uma forma de negligência criminosa, com a companhia aérea a poupar no combustível. Que este triste acontecimento sirva de alerta para as autoridades e para todos os operadores do setor.

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