Uma Agenda Inteligente para Portugal

A consolidação do novo papel da Agenda de Mudança passa pela efetiva responsabilidade dos diferentes atores envolvidos: Estado, universidade e empresas. A opinião de Jaime Quesado.


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Portugal vive tempos complexos e, como sempre, uma vez mais vai ser fundamental o imperativo estratégico da mudança para agendar uma base sustentada de competitividade para a economia e para a sociedade portuguesa. O Orçamento para 2016 e as políticas públicas associadas deverão ser o primeiro sinal na construção duma verdadeira Agenda de Mudança.

A Agenda de Mudança deverá assentar na Inovação e Criatividade como fatores centrais de uma nova confiança, de uma ambição global, de uma capacidade de construir soluções para novos problemas. Uma Sociedade da Inteligência. Precisamos dessa atitude em Portugal e, por isso, impõe-se uma cultura de mudança. Portugal tem de acreditar que há um momento depois de futuro e que a sociedade está preparada para os seus desafios.

Os conhecidos baixos índices de “capital estratégico” no nosso país e a ausência de mecanismos centrais de “regulação positiva” têm dificultado o processo de afirmação dos diferentes protagonistas desta Agenda de Mudança. Independentemente da riqueza do ato de afirmação individual da criatividade, numa sociedade do conhecimento, importa “pôr em rede” os diferentes atores de forma clara e dimensioná-los à escala duma participação global, imperativa nos nossos tempos. Apesar dos resultados de iniciativas diversas na área da política pública, vocacionadas para posicionar o território no competitivo campeonato da inovação e conhecimento, falta uma estratégia transversal.

A consolidação do novo papel da Agenda de Mudança entre nós passa em grande medida pela efetiva responsabilidade nesse processo dos diferentes atores envolvidos: Estado, universidade e empresas.

No caso do Estado, no quadro do processo de reorganização em curso e de construção dum novo paradigma tendo como centro o cidadão-cliente, urge a operacionalização de uma atitude de mobilização ativa e empreendedora da revolução do tecido social. A reinvenção estratégica do Estado terá que assentar numa base de confiança e cumplicidade estratégica entre os “atores empreendedores” que atuam do lado da oferta e os cidadãos que respondem pela procura.

Cabe naturalmente às empresas um papel claramente mobilizador na afirmação da Agenda Inteligente em Portugal. Pelo seu papel central na criação de riqueza e na promoção de um processo permanente de reengenharia de inovação nos sistemas, processos e produtos, será sempre das empresas que deverá emergir o “capital expectável” da distinção operativa e estratégica dos que conseguirão ter resultados com valor alavancado na competitiva cadeia do mercado. Aqui a tónica tem mais do que nunca que ser pragmática, como demonstram as sucessivas ações externas realizadas recentemente.

O pensador espanhol Daniel Innerarity tem toda a razão. Precisamos de um Novo Espaço Público na Europa e em Portugal. A sociedade portuguesa encontra-se bloqueada e impõe-se um sentido de urgência na emancipação cívica do país. Por isso, em tempo de crise, o Novo Espaço Público terá que ser capaz de responder de forma positiva aos desafios de uma Sociedade Civil ansiosa por respostas concretas aos desafios do futuro. Trata-se duma nova ambição, em que a aposta na participação e na valorização das competências, numa lógica colaborativa, têm que ser as chaves da diferença.

O Novo Espaço Público deverá ser capaz de apresentar novas soluções de inclusão social. Um país moderno tem de saber integrar de forma positiva os seus cidadãos. A coesão social faz-se pela participação construtiva e tem de haver uma atitude clara de mobilização para esse esforço nacional de convergência de atuação. A educação na escola tem de forçar a pedagogia e a prática da integração dos desfavorecidos, dos imigrantes, de todos aqueles com défices operativos de participação; têm de ser dinamizadas “ações de demonstração”, de apoio à vontade do contributo de todos. Um Programa para a Inclusão Social tem de saber “integrar de facto”.

O Novo Espaço Público deverá ser capaz de projetar novas ideias de competitividade. Está mais do que consolidada a mensagem da urgência da dimensão tecnológica na matriz de desenvolvimento nacional. Um Programa para a Competitividade tem de forçar dinâmicas efetivas de aposta na tecnologia, seja ao nível da conceção de ideias novas de serviços e produtos, seja ao nível da operacionalização de centros modernos rentáveis de produção, seja sobretudo ao nível da construção e participação ativa em redes internacionais de comercialização e transação de produtos e serviços.

Por Francisco Jaime Quesado,
Presidente da ESPAP – Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública

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