Uma carteira Bitcoin está à distância de um telemóvel

No mundo há 1700 milhões de pessoas sem conta bancária mas, desse total, mil milhões de pessoas têm telemóvel e podem criar uma conta Bitcoin.

O momento atual é de um “cripto crash” mas isso não impede que o futuro das criptomoedas seja analisado a partir da facilidade na criação de uma carteira de Bitcoin ou Ether, exemplifica a corretora de compra e venda de criptomoedas CoinEx, sendo que a moeda digital “é, provavelmente, a questão mais disruptiva no setor de pagamentos”, afirma Miguel Simões, diretor de Serviços Financeiros na Minsait Portugal.

Adianta em termos históricos que “nos últimos tempos temos assistido ao nascimento de novas formas de dinheiro, através das criptomoedas ou das novas moedas digitais dos bancos centrais. A metamorfose está prestes a ocorrer (sem dúvida, antes de 2030) no calor de duas grandes inovações atualmente em fase de gestação: as moedas digitais do banco central (CBDC) com o euro digital e a modernização concomitante dos sistemas de pagamento cross-border; facilitadores, talvez, de uma Internet de pagamentos. Não obstante, a consideração de que outros meios de pagamento (CBDC e criptomoedas, entre outros outros) sejam os meios de pagamento de uso maioritário em 2030 ainda é residual (ao todo, 3%, segundo dados do XI Relatório de Tendências de Meios de Pagamento da Minsait Payments)”. E para se aferir a importância das criptomoedas como meio de pagamento e transação internacional uma informação recente publicada no site BanklessTimes.com revela que a Binance e a crypto.com continuam como as aplicações mais populares na Europa a nível de criptomoedas. Uma outra informação publicada no site stockApps.com indica que os investidores neste tipo de moeda lucraram cerca de 162,7 milhões de milhão de US dólares em 2021, cinco vezes mais em face dos resultados de 2020. E explica Filipe Moura, co-ceo da Ithenpay, que embora se viva um momento de cripto crash, com elevada volatilidade e que “poderá ditar a menor utilização deste tipo de ativos”, o futuro será de uma “natural evolução”. Regista o mesmo gestor que há problemas a serem resolvidos como seja a necessidade de um consumo de energia elétrica “absurda” para minerar “e que é um gasto anti-ecológico”. Também temos o problema da prova da propriedade destas “moedas”, além de não haver garantias que uma determinada moeda irá perdurar no tempo”.

Carlos Costa Cruz, head of marketing da Askblue, diz que “nos EUA, a geração dos Millennials, atualmente com 26 a 41 anos de idade, tem uma grande apetência por investir em criptoativos e disponibilidade financeira para o fazer. Os criptoativos podem ter vários formatos, como as criptomoedas, NFTs ou stablecoins, menos voláteis que as criptomoedas, através da associação a um cabaz de referência composto por ativos ou moedas”. Acrescenta que “se o Metaverso ou algum mercado de criptoativos conseguir massificar estas formas de pagamento, o sistema bancário terá que se adaptar e começar a criar leis e a regular estes mercados”. José Carlos Nunes, diretor de Desenvolvimento e Marketing no novobanco sistematiza o momento. Refere que há um “crescente interesse por parte das entidades reguladorese fiscais em supervisionarem e regularem este mercado; a ligação das criptomoedas com o mundo financeiro é estabelecido através de ETFs, possibilitanto uma fonte mais segura de investimento; e há uma aumento crescente pela adoção e aceitação de pagamentos através de criptomoedas por parte de empresas e instituições reconhecidas. Por outro laod, informação desta semana citad apela Lusa refere que a agência de notação financeira Moody’s alertou “que a adoção de criptomoedas pode levar à fragmentação excessiva do sistema de pagamentos e enfraquecer a estabilidade financeira, especialmente em países com estruturas macroeconómicas mais frágeis. O serviço de investimentos desta agência garantiu que as criptomoedas estão a ser cada vez mais utilizadas por países com ratings de dívida soberana mais baixos”.

Vantagens e desvantagens
Quando se “trata de pagamentos online e pagamentos internacionais, as criptomoedas apresentam vantagens inegáveis. Além disso, as criptomoedas criaram um mercado financeiro e um ambiente de negociação descentralizado, aberto, gratuito e transparente. Com o tempo, muitos bens do mundo real foram digitalizados e agora são negociados em blockchains. No futuro, as criptomoedas serão responsáveis pelos princípios de segurança, justiça e eficiência na medida do possível e ajudarão os utilizadores globais a construir um ambiente de transação favorável apoiado por pagamentos digitais”, refere a corretora de criptomoedas CoinEx. Reforça que as criptomoedas “não conhecem fronteiras nacionais e os sistemas de liquidação habilitados para blockchain são mais rápidos que o SWIFT”.

Mas há alertas e Mário Martins, analista da ActivTrades, salienta que as criptomoedas como qualquer outro produto “só terão viabilidade se servirem um propósito com valor, e como disse Warren Buffet nesta fase não daria 25 cêntimos por todas as criptomoedas do mundo porque não produzem algo, logo dificilmente se justifica um futuro com uma selva de criptomoedas, mas sim moedas oficiais digitais, como o euro ou o US dólar, até porque é inverosímil os governos aceitarem perder uma das principais ferramentas de controlo económico e político, para um sistema descentralizado, o que não invalida que não possam coexistir com algumas stable coins, tokens de empresas ou até uma ou outra criptomoeda como a bitcoin, mas sempre dentro de um espaço de nicho de mercado”. Por seu lado. Sebastião Lencastre, ceo da Easypay diz que as criptomoedas controladas como a blockchain “constituem um fator de avanço civilizacional, na medida em que permitem o desenvolvimento mais rápido da inovação ao não estarem dependentes da burocracia intrínseca aos Estados soberanos. As criptomoedas têm sido a resposta da inovação à lenta evolução dos sistemas de pagamentos tradicionais, profundamente condicionados pelas agendas governativas e burocráticas, de que é exemplo o demorado estudo sobre o euro digital”. Na mesma linha está Matheus Baeta, Business Development Manager Iberia na iMovo.

Diz acreditar que as criptomoedas “estão aqui para ficar, no entanto o crescimento e consequente adoção massiva aos criptoativos estará bastante dependente de legislação e regulamentação, de modo que exista maior confiança por parte de investidores institucionais”.

Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta terça-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta terça-feira.

G7 destina 4.700 milhões para combater insegurança alimentar

A informação sobre os fundos destinados a combater a “insegurança alimentar” foi comunicada aos jornalistas por um alto funcionário da Administração norte-americana que se encontra na reunião do G7, que decorre em Elmau, na região dos Alpes da Baviera. 

Em direto. Acompanhe aqui o Fórum BCE

Tem início esta terça-feira o fórum anual do BCE. Acompanhe a transmissão em direto do evento que decorre em Sintra.
Comentários