Uma casa por 115 milhões de euros?

O mercado residencial de luxo está cada vez mais dinâmico e os investidores já procuram novas zonas de interesse em Lisboa, tais como Poço do Bispo, Almirante Reis, Belém e até a margem sul.

O volume de negócios em 2016 foi de nove milhões de euros e as perspetivas de fecho deste ano situam-se nos 40 milhões, números apresentados pela Private Luxury, uma empresa de mediação imobiliária de segmento de luxo. Resultados que demonstram que o mercado residencial prime em Portugal está de vento em popa.

A empresa tem em carteira propriedades com valor de mercado acima de um milhão de euros e mais de 200 imóveis, incluindo um imóvel para comercializar por 53 milhões de euros e outro que não está exposto no mercado por 115 milhões de euros.

Filipe Lourenço, CEO da Private Luxury, faz um balanço muito positivo de 17 anos a operar no mercado prime português. O responsável adianta que, neste momento, o centro de Lisboa é efetivamente a zona mais procurada, o que faz com que os preços acompanhem a elevada procura de mercado. “Uma situação que, em nossa opinião, tem de ser acompanhada de forma cautelosa. Tem de haver alguma contenção na valorização dos imóveis, porque existem muitos casos em que os preços estão muito acima da capacidade de absorção do mercado”, admite.

O responsável revela que esta situação retarda a venda e, não poucas vezes, faz com que sejam alvo de reajustamento, o que não é positivo para nenhum dos intervenientes neste mercado.

Independentemente disso, Filipe Lourenço garante que a procura está a dinamizar muito o centro da capital portuguesa e a mostrar que Lisboa, “a par de muitas outras capitais europeias e mesmo mundiais, é uma cidade que gera interesse, sofisticada e com enorme potencial no que toca ao imobiliário premium/de luxo”.

O CEO lembra que existe uma grande procura pelo eixo Cascais-Estoril e refere também que há um crescente interesse, por parte de investidores internacionais, por outras zonas de Lisboa até há pouco tempo ignoradas, tais como Poço do Bispo, Almirante Reis, Belém e até a margem sul, entre outras.

Segundo a experiência da Private Luxury, a procura é muito diversa, em função da região. No caso de Lisboa, o destaque vai para apartamentos de luxo e palácios, para residência familiar. Segue-se a procura de prédios para investimento (reabilitação, revenda ou short term rental).

Na linha Cascais-Estoril-Sintra, a procura incide sobretudo em moradias com caraterísticas singulares e também palácios, cuja finalidade é, maioritariamente, residencial.

Já no Alentejo, impera a procura de grandes propriedades de produção agrícola (acima dos mil hectares), sobretudo para exploração de cortiça, pinha, olival e vinha, essencialmente destinados a negócios de exportação.

O perfil dos investidores em imobiliário de luxo ou com outras caraterísticas também é muito distinto. Filipe Lourenço explica que, por um lado, existem os investidores institucionais, donos de grandes empresas em Portugal ou no estrangeiro, com uma estratégia de investimento extremamente racional e profissional. Por outro lado, há os particulares que pretendem investir com segurança, mas com uma estratégia menos elaborada, onde o fator rentabilidade/negócio não tem tanto peso. Por fim, existem clientes de capital, mas sem uma estratégia clara. Apenas pretendem, pelas mais variadas razões, uma casa em Portugal.

As perspetivas futuras são as melhores. “Todavia, temos sempre presente que uma das caraterísticas do mercado imobiliário é a volatilidade. Nestes 17 anos de atividade temos assistido a algumas flutuações. Ainda assim, no segmento de luxo, a curva de volatilidade não é tão acentuada. Mesmo no período entre 2008 e 2013 tivemos um dos nossos melhores anos, não contando com este de 2017”, recorda.

O crescimento do turismo surge igualmente como um incentivo ao dinamismo deste segmento de mercado. “Perante o interesse por Portugal como destino seguro para investimentos ou como o melhor país da Europa para viver, só poderemos ter as melhores perspetivas de futuro para a nossa empresa”, conclui Filipe Lourenço.

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