UMa contribuição para o ecossistema de inovação na RAM

A inovação revela-se um instrumento fundamental para aumentar a competitividade dos países, sendo essa necessidade mais evidente ainda nas Regiões Ultraperiféricas (RUPs).

De acordo com Schumpeter (1985) inovar pressupõe uma reorganização das forças e dos materiais previamente existentes, de forma a produzir os mesmos de maneira diferente, ou novos produtos e serviços, resultantes da aplicação de novos métodos de trabalho.

Neste âmbito, a inovação é geralmente dividida em cinco formas: i) Criação de novos produtos. ii) Introdução de novos métodos de produção. iii) Abertura de novos mercados. iv) Descoberta de novas fontes de matérias-primas ou produtos semiacabados. v) Criação de novas indústrias.

Assim, em geral os ambientes de inovação são caracterizados por eventos que ocorrem dentro ou fora das organizações e afetam o comportamento das pessoas, no sentido de estas se adaptarem às novas dinâmicas. Internamente, os eventos estão relacionados com a forma como as pessoas são estimuladas a inovar. Externamente, os eventos estão associados a mudanças operadas no contexto aos quais as organizações se devem alinhar.

Esses ambientes envolvem duas dimensões: Áreas de Inovação (nome adotado internacionalmente pela International Association of Science Parks and Areas of Innovation (IASP) e Mecanismos de Geração de Empreendimentos (Audy e Piqué, 2016).

Por tudo isto, a inovação revela-se um instrumento fundamental para aumentar a competitividade dos países, sendo essa necessidade mais evidente ainda nas Regiões Ultraperiféricas (RUPs).

Com efeito, segundo dados do European Innovation Scoreboard 2021, relatório anual, disponibilizado pela Comissão Europeia, que compila múltiplos indicadores que permitem identificar os principais pontos fortes e fracos das regiões europeias; as RUPs, desviam-se de média europeia na generalidade dos fatores e apresentam um fraco desempenho e atraso significativo no processo de inovação, conforme gráfico abaixo:

 

É neste quadro de necessidade de investimento em inovação, que a Universidade da Madeira (UMa) apresenta um novo centro de investigação, denominado OCEAN: Outermost Regions’ Collaborative Ecosystem for Entrepreneurship and Innovation. Trata-se de um centro de investigação e desenvolvimento tecnológico, tendo inicialmente as seguintes linhas de atuação: Ecopreneurship, Green Accounting and Sustainability Finance, Innovation towards Sustainability and Digital; Social Sustainability and Inclusion

O OCEAN emerge do programa “Innovation Capacity Building for Higher Education in Europe’s Outermost Regions”, financiado pelo European Institute of Innovation & Technology, através do projeto INCORE.

No mesmo âmbito, e paralelamente à criação do referido centro de investigação, está igualmente a ser concebido, também na UMa, um gabinete de transferência de conhecimento, com finalidade de fazer a mediação entre as empresas e a Universidade. Concretamente, o gabinete visa incentivar o patenteamento de ideias e produtos, registo de marcas comerciais, assim como outros elementos da propriedade intelectual, através da incubação de spin-offs e do estabelecimento de parcerias com os stakeholders.

Referências:

Audy, J., Piqué, J. (2016). Dos parques científicos e tecnológicos aos ecossistemas de inovação [Recurso eletrônico on-line]: Desenvolvimento social e econômico na sociedade do conhecimento. Brasília, DF: Anprotec.

Schumpeter, J. (1985). A teoria do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Nova Cultural.

 

Atualizado às 10:12  – com retificação do gráfico

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