Uma feira popular para Lisboa e para a área metropolitana

Foi anunciada a instalação de um parque de diversões em Lisboa. Foi escolhido o local (na zona de Carnide), mas não existe ainda um modelo, um programa, um projeto, nem uma estimativa de custo. No essencial, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa decidiu um local para a instalação de um parque de diversões, anunciou […]


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Foi anunciada a instalação de um parque de diversões em Lisboa. Foi escolhido o local (na zona de Carnide), mas não existe ainda um modelo, um programa, um projeto, nem uma estimativa de custo.
No essencial, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa decidiu um local para a instalação de um parque de diversões, anunciou uma ideia e manifestou a intenção de promover um compromisso político para a concretização deste equipamento.

É estranho que Fernando Medina afirme pretender um consenso para a nova feira popular de Lisboa mas decida o local antes de definir um modelo. Porque não quis gerar um consenso também quanto ao local?
A intenção de alargar a base de compromisso para um projeto estruturante para Lisboa é pertinente. Em geral, qualquer iniciativa com impacto na cidade no longo prazo, seja do ponto de vista financeiro, seja no funcionamento, ou seja no desenvolvimento da cidade, deve merecer um apoio político alargado. Cabe ao presidente da câmara fomentar os consensos e aos intervenientes manifestar a disponibilidade para construir soluções de compromisso.

A feira popular funcionou, até 2003 e durante cerca de 40 anos, em Entrecampos, num espaço sempre considerado provisório. Desde essa altura, sempre foi intenção politicamente transversal no município a recuperação de um parque de diversões. Durante vários anos, foram pensados vários modelos e várias localizações.

Passados que são 12 anos sobre o encerramento da feira popular, é anunciada a intenção de instalar um parque de diversões em Carnide. Para tal, a câmara anuncia um investimento na aquisição de terrenos de mais de uma dezena de milhões de euros. A primeira questão que se coloca é a de saber se não haveria outras localizações em que a disponibilização dos terrenos não dependesse da aquisição a particulares.
Mas a montante está a questão do modelo de feira popular que se pretende em Lisboa. Essa deveria ser a questão inicial do processo de decisão. O local deveria ser condicionado pelo modelo que se pretende e não um modelo condicionado por uma localização predefinida. No limite, se o modelo a definir for compatível ou preferível noutro local, entretanto já foram investidos vários milhões de euros na aquisição de terrenos…

Ainda assim, é importante que a definição do modelo da nova feira popular de Lisboa possa ser participado e objeto de um compromisso alargado. Questões como o modelo de exploração, a sua inserção no contexto metropolitano, a importância para a economia e para o turismo da cidade e da região, a identidade com a história da cidade e do país ou as questões ambientais devem ser aspectos a ter em conta no processo que se vai seguir.

Lisboa há muito que deveria ter recuperado a sua feira popular. E essa convicção, que é transversal, deve ser o ponto de partida para a construção de um projeto em que os lisboetas se revejam.

António Prôa
Vereador na Câmara Municipal de Lisboa

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