“Uma parceria entre a TAP e a euroAtlantic seria de clara mais valia para ambas as companhias”

CEO da euroAtlantic manifesta disponibilidade para cooperar com a TAP, numa altura em que esta última enfrenta uma profunda reestruturação que obrigará a uma redução de 25% nas suas rotas. Mercados onde a euroAtlantic pode colaborar com a TAP são África, América Central e do Sul e Médio Oriente. Por outro lado, defende Eugénio Fernandes, “a TAP deveria voar para os destinos de turismo de massas – mercados claramente de operações charters – em parceria com a euroAtlantic, como o Nordeste do Brasil e as Caraíbas”.

Eugénio Fernandes Euroatlantic
Victor Machado/Bluepeach

Eugénio Fernandes, CEO da euroAtlantic Airways, garante que a companhia que lidera está disponível para cooperar com a TAP, numa altura em que esta última enfrenta uma profunda reestruturação que obrigará ao fecho de um quarto das rotas. O CEO da euroAtlantic será um dos oradores que vão marcar presença na conferência online sobre o futuro da aviação, juntamente com personalidades como o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, o chairman da TAP, Miguel Frasquilho e o chairman da ANA, José Luís Arnaut, que o Jornal Económico e a consultora BDC promovem no próximo dia 16 de dezembro.

 

A euroAtlantic manifestou recentemente disponibilidade para cooperar com a TAP. Mantém essa disponibilidade? A TAP vai ter de cortar rotas e a cooperação com outras operadoras é agora mais premente?

Por princípio, defendo sempre modelos de cooperação entre companhias aéreas que envolvem a prestação de serviços de transporte aéreo conjuntos, com ganhos evidentes de eficiência e de diversidade de produtos e serviços que são disponibilizados aos passageiros. Neste contexto adverso em que se encontra a indústria da aviação, essa cooperação pode mesmo representar a sobrevivência das empresas. Uma parceria entre a TAP e a euroAtlantic seria de clara mais valia para ambas as companhias. Do nosso lado, há uma disponibilidade já amplamente anunciada que queremos fazer parte da solução para a recuperação da TAP. Temos capacidade técnica e operacional imediata para assumir compromissos e desenhar projetos de cooperação.

Já houve contactos nesse sentido, quer com o Governo, quer com a TAP?

Há muito que a euroAtlantic tem vindo a manifestar disponibilidade para cooperar com a TAP. Mais recentemente, voltámos a fazê-lo com executivos da companhia e também diretamente com o ministro Pedro Nuno Santos. Estamos prontos e motivados para iniciar essa parceria.

Em que áreas poderia a euroAtlantic dar o seu contributo, juntamente com outros players?E que condições coloca?
A parceria pode materializar-se em diversas áreas e sob um ponto de vista  operacional e técnico, como por exemplo rotas a operar pela euroAtlantic, em parceria com a marca TAP, formação e partilha de espaços, de recursos humanos, etc. Considerando que todas as companhias aéreas reduziram a sua dimensão e diminuíram a sua presença em muitas geografias, trabalhar em conjunto no desenvolvimento de outras ideias e projetos que possam abrir oportunidades para a TAP e para a euroAtlantic trará benefícios evidentes para ambas.

Em que geografias vê maior potencial de contributo da euroAtlantic?

Não será demais reforçar a necessidade absoluta dessa aproximação: as partes devem sentar-se para discutir e refletir nas oportunidades de negócios, o que ainda não ocorreu pois estamos dependentes do projeto de reestruturação da TAP e consequente aprovação da Comissão Europeia. Mas posso adiantar que os mercados onde a euroAtlantic pode naturalmente ajudar são África, América Central e do Sul e Médio Oriente, em particular nos voos de São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau, com efeitos imediatos uma vez que são rotas que já fazemos. Por seu turno, a TAP, contrariamente ao que fez nos últimos anos, deveria voar para os destinos de turismo de massas (mercados claramente de operações charters) em parceria com a euroAtlantic, como o nordeste do Brasil e as Caraíbas.

 

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