“Una caña”, Pleez. Startup portuguesa estreia-se em Espanha para modernizar restaurantes

A empresa de ‘foodtech’ tem cerca de 300 clientes no sector da restauração e chega esta segunda-feira a Madrid.

Pleez

A startup portuguesa Pleez, que completou recentemente dois anos, vai iniciar esta segunda-feira o processo de internacionalização e escolheu Espanha, pela proximidade e semelhança nas tendências de mercado, para começar. A empresa fundada em plena pandemia pelo médico Afonso Pinheiro e pelo engenheiro Vasco Sampaio leva hoje o algoritmo e menu digital para a restauração de nuestros hermanos, além dos 300 restaurantes onde já instalou a sua tecnologia em Portugal.

“Vamos abrir em Madrid a 2 de maio. Temos o objetivo de até março de 2023 ter uma presença muito forte em Portugal, porque somos portugueses, e Espanha, onde temos muitas hipóteses. Preferimos apostar em poucos mercados, mas sólidos do que estar em vários com pouca presença”, disse ao Jornal Económico (JE) Vasco Sampaio, cofundador e responsável de Produto da Pleez.

À semelhança de muitas outras, esta startup nasceu “à mesa” de um restaurante e hoje emprega 18 pessoas e desenvolve tecnologia para restauração que aumenta as vendas em 15% através de uma análise que envolve os pratos da concorrência.  “O Afonso e eu não gostamos de esperar. Às vezes, pedir nos restaurantes uma coisa tão simples como uma Coca Cola – que é só ir ao frigorifico – demora. A ideia veio daí, não foi uma ideia Covid-19, mas uma mera coincidência que acabou por gerar muita tração. Nos primeiros três meses angariámos logo 70 restaurantes só para a parte do menu digital”, conta o ex-engenheiro de robótica.

Os confinamentos que se seguiram prejudicaram o crescimento da empresa, que dependia de um sector entregue às entregas (passo a redundância). Contudo, foi positivo porque deu tempo aos empreendedores para analisarem o mercado, para o feedback que recebiam dos clientes e antecipar oportunidades de negócio, segundo o jovem empresário.

“Apercebemo-nos de que o foco na eficiência, em tornar o serviço mais rápido, não era um problema para os restaurantes. Era algo que gostavam e viam como algo que fazia falta, mas em geral não era uma dor muito grande. Aquilo que um dono de um restaurante quer é vendas, vender, vender e vender”, diz Vasco Sampaio.

Então, e se pegassem no seu menu digital e o adaptassem à moda do que a Amazon fez com o sector do retalho, com uma lista online que apresenta sugestões a quem por ela navega? Ou seja, que os restaurantes pudessem destacar dois ou três pratos específicos do cardápio, para fomentar as vendas? A dúvida passou à execução, depois de chegarem à conclusão de que as apps como Uber Eats, Bolt Food ou Glovo listam os restaurantes na plataforma, mas depois há estabelecimentos que não recebem assim tantos pedidos e ficam a pensar se valeu a pena.

No início de abril, a Pleez anunciou o fecho de uma ronda de investimento seed no valor de 1,5 milhões de euros, uma das maiores na indústria foodtech em Portugal, liderada pelo fundo de capital de risco alemão FoodLabs. O financiamento contou ainda com a participação da Shio Capital, os primeiros investidores da Gorillas & da Choco, os investidores atuais Wisenext e APX, bem como por um conjunto de business angels, incluindo os fundadores da Order Bird. O montante – que se seguiu aos 100 mil euros angariados em pré-seed – permitiu-lhe contratar mais onze pessoas e iniciar a expansão além-fronteiras.

A Pleez e a FoodLabs foram assessoradas pela sociedade de advogados Albuquerque & Almeida, nomeadamente o sócio André Matias de Almeida (Corporate/M&A), o associado sénior Pedro Sousa Gonçalves e o associado Gonçalo Poejo Grilo.

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