União de Sindicatos exige conhecer plano detalhado de reestruturação do Banco Montepio

A USI “está a seguir com toda a atenção a situação no Banco Montepio. Atenção que, apesar do silêncio, se espera que esteja igualmente a ser prestada pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a quem compete parte da tutela da Montepio Geral – Associação Mutualista, e que por isso tem especiais deveres de acompanhar o tema e contribuir para as soluções”, defende a confederação sindical.

A União dos Sindicatos Independentes (USI) – Confederação Sindical enviou um comunicado a dar conta que quer conhecer o plano detalhado de reestruturação do Banco Montepio.

A USI “está a seguir com toda a atenção a situação no Banco Montepio. Atenção que, apesar do silêncio, se espera que esteja igualmente a ser prestada pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a quem compete parte da tutela da Montepio Geral – Associação Mutualista, e que por isso tem especiais deveres de acompanhar o tema e contribuir para as soluções”, defende a confederação sindical.

Por outro lado, diz o comunicado, “a União dos Sindicatos Independentes entende que o Banco Montepio não pode deixar de ser fiel aos valores humanistas e solidários da Associação Mutualista”. Pelo que “nessa medida, eventuais reformas antecipadas e rescisões de contrato de trabalho por mútuo acordo terão de envolver todas as estruturas representativas dos trabalhadores, em processos negociados, voluntários e abrangentes, sem coação ou intimidação, e em respeito absoluto pela lei”.

A administração do Banco Montepio apresentou um plano de reestruturação que é um plano de corte de custos e  prevê um reajustamento do quadro de pessoal. Para isso, o Banco Montepio diz que vai lançar “um programa destinado a criar oportunidades para os colaboradores que entendam sair”.

“Com base nos cenários analisados e num quadro plurianual, estima-se um intervalo máximo indicativo de redução de pessoas entre 600 a 900, tendo para o efeito sido requerida junto das entidades competentes a possibilidade de alargamento de quota para subsidio de desemprego, com o intuito de facultar proteção acrescida em situações de saída, facto que já foi partilhado com as estruturas representativas dos trabalhadores”, segundo uma comunicação interna do banco tornada pública.

“Este programa será apresentado formalmente a todos os colaboradores no dia 5 de outubro estando atualmente em fase de consulta com os parceiros sociais e estruturas representativas dos trabalhadores”, lê-se na nota interna do banco noticiada na semana passada.

A USI diz agora que “não pode deixar também de salientar que os processos de reestruturação devem seguir um princípio de equidade, em que a própria administração deve dar o exemplo, aplicando a si própria uma quota de sacrifícios, nomeadamente reduzindo a sua dimensão quantitativa ou reduzindo alguns dos benefícios de que usufrui”.

A USI apela a todos os trabalhadores para que “nada assinem sem consultar as suas estruturas sindicais e os respetivos serviços jurídicos, assume publicamente a sua solidariedade com todos os sindicatos do setor e desde já manifesta a sua disponibilidade para colaborar em eventuais ações de luta sindical”.

O encerramento de balcões também foi abordado na comunicação assinada pelo chairman e pelo CEO do Banco Montepio. Trata-se, neste âmbito, de um “reajustamento operacional”, que vai acelerar a transição digital do banco. Por isso, e para “optimizar o mix de distribuição”, o banco já decidiu encerrar 37 balcões que considera “redundantes geograficamente”, estando ainda em análise “cerca de 40 balcões, segundo critérios de relevância geográfica, rentabilidade e dimensões do mercado”.

O objetivo do plano de transformação é tornar o Banco Montepio num banco “eficiente” e “rentável”. “Desta forma, pretendemos ajustar a nossa operativa e modelo de serviço aos clientes, aproximar os rácios de eficiência do Banco Montepio aos do sector bancário português, simplificar a estrutura do grupo e racionalizar a oferta”, referiram os gestores do banco numa comunicação interna a que os jornais tiveram acesso.

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