União dos Mercados de Capitais defende empresas investidoras mais fortes

Com esta iniciativa, os responsáveis de Bruxelas pretendem que os mercados de capitais europeus passem a ser mais eficientes e mais bem controlados graças à revisão das normas aplicáveis às empresas de investimento.

No sentido da criação da União dos Mercados de Capitais (UMC), com normas mais proporcionadas e sensíveis ao risco para empresas de investimento mais fortes, a Comissão Europeia propôs hoje a revisão dessas normas com o duplo objetivo de facilitar a vida às empresas de investimento de menor dimensão e de sujeitar as empresas de maior dimensão e natureza sistémica ao mesmo regime dos bancos europeus.
Com esta iniciativa, os responsáveis de Bruxelas pretendem que os mercados de capitais europeus passem a ser mais eficientes e mais bem controlados graças à revisão das normas aplicáveis às empresas de investimento.
 
“As empresas de investimento e os serviços que prestam são fundamentais para o bom funcionamento da União dos Mercados de Capitais (UMC). Além dos bancos, os mercados de capitais da UE [União Europeia] dependem de vários milhares de pequenas e grandes empresas de investimento que prestam serviços de consultoria a clientes, ajudam as empresas a explorar os mercados de capitais, gerem patrimónios e asseguram a liquidez do mercado, facilitando assim os investimentos em toda a UE”, destaca um comunicado do RAPID – Representação da Comissão Europeia em Portugal.
Partindo do princípio de que a UE precisa de mercados de capitais mais fortes, a fim de promover o investimento, explorar novas fontes de financiamento para as empresas, oferecer melhores oportunidades às famílias e reforçar a União Económica e Monetária, foram hoje apresentadas propostas, segundo as quais a maioria das empresas de investimento da UE deixarão de ficar sujeitas às normas originalmente concebidas para os bancos.
“Tal permitirá reduzir os encargos administrativos, reforçar a concorrência e aumentar os fluxos de investimento, de acordo com as prioridades da UMC, sem comprometer a estabilidade financeira. Ao mesmo tempo, as empresas de investimento de maior dimensão e natureza sistémica estarão sujeitas às mesmas normas e regime de supervisão que os bancos”, explica o referidio comunicado da RAPID.
Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão responsável pela Estabilidade Financeira, Serviços Financeiros e União dos Mercados de Capitais, declarou a este propósito que “as nossas normas devem ser proporcionadas e sensíveis ao risco”.
“As empresas de investimento de menor dimensão beneficiarão de requisitos mais simples e mais consentâneos com o seu perfil de risco. Ao mesmo tempo, as grandes empresas que comportam riscos semelhantes aos dos bancos devem ser reguladas e fiscalizadas como os bancos. Esta reforma ajudará as empresas de investimento a ligar as poupanças dos consumidores e dos investidores às empresas. As novas normas apoiarão o bom funcionamento dos mercados de capitais, assegurando simultaneamente a estabilidade financeira”, adiantou o mesmo responsável.
Por seu turno, Jyrki Katainen, vice-presidente da Comissão responsável pelo Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, afirmou que “o nosso objetivo é reduzir os custos inerentes ao cumprimento da legislação da UE”.
“A proposta hoje apresentada visa simplificar e racionalizar as normas prudenciais aplicáveis às empresas de investimento e enquadra-se nesse esforço. As nossas normas devem apoiar o papel crucial desempenhado por estas empresas na canalização dos fluxos de investimento dos mercados de capitais, assegurando simultaneamente que os riscos das suas atividades estão devidamente cobertos. Uma maior concorrência e a proteção dos investidores são duas faces da mesma moeda, destinadas a estimular a confiança do mercado e apoiar o crescimento”, defendeu aquele responsável.
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