União Europeia apela à China que liberte jornalista presa por fazer reportagens sobre a Covid-19

Um porta-voz da UE citado pela “Reuters” afirma que “de acordo com fontes confiáveis, a jornalista Zhang Zhan foi submetida a tortura e maus-tratos durante a sua detenção e a sua condição de saúde desde então deteriorou-se significativamente”.

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A União Europeia (UE) criticou esta terça-feira, dia 29 de dezembro, a decisão do tribunal chinês que condenou a jornalista, Zhang Zhan, por esta ter feito várias reportagens sobre o início do surto de coronavírus na região de Wuhan, segundo a “Reuters”.

A UE apelou à libertação imediata de Zhang, bem como à liberdade do advogado defensor dos direitos humanos preso, Yu Wensheng, e de vários outros defensores dos direitos humanos detidos e condenados que se envolveram em denúncias de interesse público.

Um porta-voz da UE citado pela “Reuters” afirma que “de acordo com fontes confiáveis, a Sra. Zhang foi submetida a tortura e maus-tratos durante a sua detenção e a sua condição de saúde desde então deteriorou-se significativamente”.

Um tribunal chinês decretou uma sentença de quatro anos de prisão na segunda-feira, dia 28 de dezembro, para Zhang Zhan, que relatou o auge da crise na cidade onde o coronavírus surgiu pela primeira vez, Wuhan. O advogado da jornalista disse que Zhang foi presa sob o argumento de “provocar brigas e problemas”.

As críticas da UE sobre o caso chegam um dia antes dos líderes da UE e da China chegarem a um acordo para dar às empresas europeias melhor acesso ao mercado chinês. Zhang estava entre um número reduzido de pessoas cujos relatos em primeira mão de hospitais lotados e ruas vazias pintaram um quadro mais terrível do epicentro da pandemia do que a narrativa oficial do governo chinês.

Os críticos dizem que a China deliberadamente agendou o julgamento de Zhang para a temporada de férias no Ocidente, como forma de minimizar o escrutínio.

“As restrições à liberdade de expressão, ao acesso à informação e à intimidação e vigilância de jornalistas, bem como detenções, julgamentos e condenações de defensores dos direitos humanos, advogados e intelectuais na China, estão a crescer e continuam a ser uma fonte de grande preocupação”, disse o porta-voz da UE.

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