União Europeia realiza em Istambul cimeira sobre a guerra

A União Europeia reconhece assim o papel importante que a Turquia tem desempenhado – e possivelmente continuará a desempenhar – na cena de guerra no interior do continente, A Turquia é talvez o único país do mundo com acesso direto aos dois lados do conflito.

Istambul, Turquia

A União Europeia está a ponderar realizar uma grande cimeira em Istambul a 22 de fevereiro próximo, por ocasião do primeiro aniversário da invasão russa da Ucrânia, disse o chefe da delegação da do bloco na Turquia, Nikolaus Meyer-Landrut, citado pelos jornais do país.

Os governos ucraniano e turco serão convidados a estar presentes, disse ainda o diplomata, que acrescentou que “esta é também uma forma de expressar o nosso apoio à Ucrânia. No ano passado, a 24 de fevereiro, deu-se o início da agressão russa, que foi um momento decisivo na história europeia”.

“Costuma dizer-se que o 11 de setembro foi um momento de mudança para a história da segurança norte-americana. Eu diria que há uma situação de segurança europeia importante semelhante a 24 de fevereiro de 2022. Temos uma guerra no nosso continente, uma grande guerra brutal, uma guerra com consequências muito para além do continente europeu”, reforçou.

De algum modo, esta decisão vem evidenciar o papel importante que a Turquia tem assumido em termos diplomáticos desde que o conflito teve início. A Turquia é um dos países mais ativos na tentativa de garantir um cessar-fogo permanente entre a Ucrânia e a Rússia. Tem assumido um papel equilibrado de mediador, mantendo abertos os canais de comunicação com os dois lados em conflito – o que coloca o país numa posição praticamente única.

Desde o início do conflito, Ancara ofereceu-se para mediar entre os dois lados e sediar negociações de paz, destacando o apoio à integridade territorial e à soberania da Ucrânia. Embora a Turquia se tenha se oposto às sanções internacionais destinadas a isolar Moscovo, o país também fechou os estreitos de Dardanelos para impedir a travessia de alguns navios russos.

A mediação turca provou ser vital para facilitar a assinatura de um acordo entre a Turquia, as Nações Unidas, a Rússia e a Ucrânia em Istambul, que reabriu os portos ucranianos à venda internacional dos cereais do país invadido.

Do lado da União, passa-se precisamente o contrário. A diplomacia europeia tem sido sistematicamente preterida em termos de mediação – com a Rússia a ostentar um total desprezo pelo papel que a União Europeia poderia ter no conflito.

Uma cimeira na cidade de Istambul (europeia e asiática) seria uma forma de reconhecer que a Turquia tem um papel inquestionável numa solução para a guerra. E esse papel, tudo o indica, continuará quando a paz chegar – principalmente se ali for instalado (no lado europeu) um ponto de abastecimento de gás natural russo.

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