Urge combater a poluição do rio Tejo

A bacia hidrográfica do rio Tejo representa 28% da superfície do continente português e é recurso para a vivência e economia de cerca de 3 milhões de habitantes.

Uma das conclusões da Comissão de Acompanhamento da poluição do rio Tejo, criada em janeiro pelo Ministério do Ambiente, é de que cerca de 50% das massas de água não estão em estado considerado “Bom” na classificação da DQA (Diretiva Quadro da Água), o que exige a tomada de novas medidas. Do relatório desta Comissão constam também várias propostas e recomendações para combater o problema de poluição na bacia hidrográfica do rio Tejo, que representa 28% da superfície do continente português e que é recurso para a vivência e economia de cerca de 3 milhões de habitantes.

O rio Tejo é um ecossistema vital para o país, pelo que uma política ambiental comprometida com a gestão sustentável dos recursos hídricos terá que adoptar uma visão integrada dos vários e complexos factores que interferem na qualidade da água, nomeadamente, a poluição proveniente das atividades agrícola e pecuária e os problemas históricos de qualidade da água devido aos resíduos industriais e urbanos.

A agricultura representa cerca de 73% da carga total de azoto nesta região e a pecuária 27%. A indústria alimentar tem um peso brutal ao nível de resíduos produzidos por actividades económicas na região – abate de animais, preparação e conservação de carne e de produtos à base de carne –, sendo responsável por cerca de 47%, 64%, 42% e 70%, respectivamente, das cargas em CBO5, CQO, Ptotal e Ntotal produzidas por este sector.

Continua a haver muita resistência em perceber os impactos ambientais transversais das explorações pecuárias. Estamos a falar de uma indústria com elevadíssimos impactos ambientais – poluição de recursos hídricos e dos solos, emissão de gases com efeito de estufa –, impactos na saúde humana e no bem-estar animal. Uma política ambiental responsável que se comprometa com a gestão sustentável do Tejo tem que assumir que não podemos continuar a atribuir apoios desnecessários à agricultura agro-tóxica e agro-pecuária intensiva, que tanto contribuem para destruir os nossos activos ecológicos.

Mais preocupante ainda nesta e noutras questões é que as entidades que deviam inspeccionar estão distraídas sabendo-se que, na pasta do Ambiente, estão muitas irresponsabilidades por apurar e corrigir. A tão urgente revolução climática não se coaduna com o actual sistema de favores que está na base da cegueira colectiva em tantas matérias, mas sim com uma nova narrativa cultural e económica que encare este desafio como uma oportunidade única e muito curta de revertermos o estado avançado de destruição dos nossos recursos mais valiosos.

A autora escreve segundo a antiga ortografia.

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