Urgência renovada do S. José com mais salas de espera e entrada distinta para macas

A obra em curso na urgência do Hospital de São José, Lisboa, vai criar salas de espera distintas para doentes urgentes ou não urgentes, além de permitir que todas as especialidades da urgência fiquem concentradas no mesmo piso.

Correspondendo a um investimento de 1,2 milhões de euros, a obra na urgência do São José decorre desde maio e a estimativa é que esteja concluída durante o próximo mês de janeiro.

Carlos Rosa, engenheiro do Centro Hospitalar, explicou à agência Lusa que todos os trabalhos têm decorrido com a urgência em pleno funcionamento, o que exigiu um esforço acrescido para minimizar os incómodos para utentes e profissionais de saúde.

“A urgência vai crescer, vai aumentar de capacidade. Vamos criar duas zonas de espera novas e vamos ao todo ficar com três áreas de espera, o que beneficia todos os circuitos e os utentes. E vamos aumentar a parte dos balcões para as macas”, indica o responsável em declarações à agência Lusa.

Quando a obra estiver concluída, a urgência no Hospital de São José passa a ter duas entradas distintas, ambas na zona onde atualmente entram os utentes: uma entrada passará a ser para quem chega de ambulância e a outra para quem se desloca ao hospital por meios próprios.

A antiguidade do hospital e a degradação das instalações ditaram a necessidade desta intervenção na principal urgência do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC).

“Esta urgência era uma urgência antiga, que trazia alguma dificuldade de acesso. O que pretendemos com esta obra é efetivamente tornar o espaço um local de trabalho, acolhimento e tratamento mais agradável, aprazível e aproximado ao que devem ser hoje os cuidados de saúde na urgência”, justificou em entrevista à Lusa a presidente da administração do CHULC, Rosa Valente Matos.

Na urgência polivalente do São José entram diariamente, em média, 300 a 400 pessoas. No próximo mês, com a conclusão da obra, as várias especialidades médicas vão ficar centradas no mesmo piso, quando até agora a urgência de psiquiatria, otorrino e oftalmologia funcionavam num piso diferente.

“Vamos conseguir ter um serviço de urgência mais uniforme e onde todas as especialidades trabalham em conjunto”, estima Rosa Valente Matos.

À margem da urgência, a presidente do CHULC reconhece a necessidade de mais intervenções ou pequenas obras no São José, como forma de melhorar a estrutura para os utentes e as condições de trabalho dos profissionais até que seja criado o novo hospital de Lisboa Oriental.

Num Centro Hospitalar com “instalações velhinhas” e onde trabalham cerca de oito mil profissionais, Rosa Valente Matos destaca como prioridade os recursos humanos.

“A riqueza de uma instituição são efetivamente os profissionais. Temos de trabalhar os recursos humanos e envolvê-los cada vez mais”, defendeu à Lusa.

A carência de profissionais é uma realidade na maioria das unidades do Serviço Nacional de Saúde. No S. José, segundo a responsável as áreas de otorrino, oftalmologia, radiologia e anestesia são as que suscitam maior preocupação.

Por exemplo, na área de oftalmologia, no último ano saíram do Centro Hospitalar cinco especialistas, que tiveram convites para trabalhar outros sítios.

Rosa Valente Matos defende que a criação de centros de responsabilidade integrada “é o caminho que os hospitais têm de fazer”, para terem mais autonomia, responsabilidade e para poderem também pagar melhor aos profissionais.

“Um dos pilares da reforma hospitalar são os centros de responsabilidade. Acredito plenamente que passa também por aí [a retenção dos profissionais]. Dar autonomia, com responsabilidade, com avaliação e com uma retribuição que os centros de responsabilidade vão permitir que seja diferente”, argumentou.

Estes centros, previstos na lei, são estruturas de gestão intermédia nos hospitais com maior autonomia de funcionamento, com compromissos ao nível do desempenho em termos de assistência e em termos económico-financeiros.

Os profissionais de saúde que queiram integrar estes centros terão de ter uma maior dedicação e há uma parte significativa que terá de abandonar a atividade privada para se dedicar a estes projetos.

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