“Usaram a minha imagem para deturpar a guerra”, revela influencer ucraniana

Apesar da violência da imagem, o lado russo espalhou desinformação e acusou Marianna de “atuar” perante as objetivas e ainda de retratar duas mulheres diferentes.

Associated Press

A guerra na Ucrânia, além de reportagens em vídeo dos enviados especiais, está a ser contada por fotografias e as últimas imagens dos violentos corpos espalhados em Bucha é o exemplo disso.

No entanto, existem histórias que são deturpadas, como é o exemplo de Marianna Vyshemirsky. Grávida, com um cobertor às costas e com a cara ensanguentada, a Associated Press fotografou Marianna após o atentado russo à maternidade em Mariupol.

A fotografia foi publicada por vários meios internacionais nos seus sites e frequentou também capas de jornais e revistas para mostrar o horror vivido pelos ucranianos. Apesar da violência da imagem, o lado russo espalhou desinformação e acusou Marianna de “atuar” perante as objetivas e ainda de retratar duas mulheres diferentes.

Em entrevista à “BBC”, Marianna admitiu ter recebido “ameaças de que me iam encontrar, matar e que a minha criança seria cortada em pedaços”.

Antes de se tornar viral por causa da fotografia e ainda antes da guerra, Marianna era conhecida na região por promover produtos de beleza nas redes sociais onde, no Instagram, soma quase 100 mil seguidores.

“Tínhamos uma vida sossegada e simples e, depois, tudo virou do avesso”, explicou a influencer.

A jovem de 29 anos estava na maternidade em Mariupol para ter a filha, Veronika, e adiantou que foi melhor ela ter escolhido chegar numa altura complicado do que nunca chegar, como aconteceu com a mulher deitada numa maca que foi apanhada numa fotografia.

A 9 de março, Marianna estava na maternidade a falar com outras mulheres quando o espaço foi atingido por uma onda de choque. Em forma de defesa, a influencer enrolou-se num cobertor e o hospital foi atingido por uma segunda explosão. “Podíamos ouvir tudo a voar à nossa volta, inclusive estilhaços”.

Depois das grávidas terem sido levadas para a cave, como forma de proteção após duas explosões consecutivas, Marianna foi vista por um médico que a libertou medicamente por não precisar de pontos, apesar de ter cortes e fragmentos de vidros nas feridas abertas na cara.

Quando abandonaram o bunker, a então grávida pediu para entrar no edifício com a ajuda de agentes da polícia. “Tudo o que tinha preparado para receber a minha bebé estava na ala da maternidade”, adiantou.

Depois da embaixada russa ter emitido um tweet em que acusava Marianna de ser duas pessoas, as redes sociais da influencer foram inundadas com ameaças e acusações, apesar se ter confirmado tratarem-se de duas pessoas diferentes.

“Foi verdadeiramente ofensivo ouvir aquilo, porque vivi tudo”, referiu à publicação britânica mas sem apontar dedos ou recorrer a críticas. “Fiquei ofendida por os jornalistas que publicaram as minhas fotografias nas redes sociais não entrevistaram outras mulheres grávidas que podiam confirmar que o ataque aconteceu realmente”.

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