Utilização de telemóveis para aceder à Internet duplica entre jovens

A utilização de telemóveis para acesso à internet e às redes sociais pelos jovens duplicou nos últimos três anos e o tablet está entre os equipamentos mais utilizados em casa, conclui um inquérito realizado pelo INOV-INESC. As conclusões baseiam-se nas respostas a 6.500 inquéritos recolhidos ao longo de três anos, até 2013/14, em escolas secundárias […]

A utilização de telemóveis para acesso à internet e às redes sociais pelos jovens duplicou nos últimos três anos e o tablet está entre os equipamentos mais utilizados em casa, conclui um inquérito realizado pelo INOV-INESC.

As conclusões baseiam-se nas respostas a 6.500 inquéritos recolhidos ao longo de três anos, até 2013/14, em escolas secundárias de todo o país por uma equipa de investigação do FAQtos, projeto do INOV-INESC (Instituto Nacional de Engenharia de Sistemas e Computadores) com o Instituto Superior Técnico.

O objetivo era conhecer os hábitos e preocupações dos jovens a frequentar o ensino secundário, entre 10 e 14 anos, em relação à utilização dos telemóveis e a questões relacionadas com as radiações eletromagnéticas emitidas pelos equipamentos domésticos.

“Não houve grandes novidades em relação àquilo que se passou nos últimos anos e a grande diferença em relação aos anos anteriores é que há mais estudantes a usar o telefone para aceder à internet e às redes sociais, uma tendência a confirmar aquilo que já se estava à espera, ou seja, que a utilização dos telefones e também dos ‘tablets’ tem vindo a aumentar”, diz, à Lusa, Luís Correia, do INOV-INESC.

O acesso a dados “há uns anos atrás era muito caro, hoje é bastante mais barato, e também o facto de os smartphones se terem generalizado e serem muito mais baratos possibilita que os jovens passem a utilizar os telefones para aceder à internet e às redes sociais”, realça o investigador.

A utilização do telemóvel para aceder à internet e às redes sociais reúne mais de 70% das respostas em ambas as opções de utilização, no último ano, refere uma informação sobre os resultados do inquérito.

A entrada no 2.º ciclo do ensino básico (10 a 12 anos) concentra a grande maioria daqueles que dizem ter tido o primeiro telemóvel (mais de 60%), e a idade média não sofreu alteração no triénio em análise, fixando-se nos 10,5 anos.

A partir dos 13 ou 14 anos, a presença do telemóvel é regra entre praticamente todos os jovens inquiridos, apenas 0,4% indicou não usar o aparelho, e 15% detém mais do que um equipamento.

“Há uma diminuição do número de estudantes que têm mais do que um telemóvel, no primeiro ano havia uma percentagem razoável”, o que é explicado pelo facto de os operadores terem planos de comunicações que permitem falar para todas as redes sem penalização nos custos, explica Luís Correia.

Em média, os jovens continuam a falar pouco mais de meia hora e a enviar cerca de 100 SMS (mensagens escritas) por dia, o que se mantém, acrescenta.

Luís Correia destaca como “um aspeto curioso” a atitude perante o tema radiações, em que “não houve grandes alterações em relação aos anos anteriores”.

“Cerca de 50% diz que estão preocupados com a questão das radiações, mas quando perguntamos quantos já foram procurar informação, na internet ou em outro local qualquer, sobre o assunto, só 15% o fizeram, o que significa que a questão das radiações acaba por não ser uma preocupação real” das pessoas, defende.

Para o investigador, “as pessoas já estão mais esclarecidas em relação a este assunto”.

OJE/Lusa

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