‘Value added’ medicines: que valor podem trazer aos doentes e à economia?

A inovação é uma componente considerada essencial para o desenvolvimento, crescimento e competitividade das empresas farmacêuticas, no entanto esta não se foca exclusivamente na investigação e criação de novas moléculas. Value added medicines representam uma forma alternativa de Investigação e Desenvolvimento (I&D), baseada no incremento de valor de moléculas já existentes, que já não se […]

A inovação é uma componente considerada essencial para o desenvolvimento, crescimento e competitividade das empresas farmacêuticas, no entanto esta não se foca exclusivamente na investigação e criação de novas moléculas.

Value added medicines representam uma forma alternativa de Investigação e Desenvolvimento (I&D), baseada no incremento de valor de moléculas já existentes, que já não se encontrem protegidas por patente. Esta estratégia tem vindo a ganhar popularidade, na medida em que promove o reaproveitamento de moléculas com perfis pré-clínicos, farmacocinéticos e farmacodinâmicos estudados, permitindo tornar o processo de desenvolvimento mais rápido e com maior eficiência de custos.

A pandemia de Covid-19 relembrou-nos da importância desta forma alternativa de I&D, com o reposicionamento de moléculas, i.e, a identificação de novas indicações para um fármaco já aprovado, a ter um papel crucial na resposta à Covid-19, facilitando o tratamento de doentes hospitalizados. A utilização de dexametasona, um esteroide comum e não dispendioso, é um exemplo desta prática, tendo sido reaproveitado para o tratamento da Covid-19 devido aos seus benefícios demonstrados, segundo o “RECOVERY trial” da University of Oxford .

De acordo com Huang et al., considera-se que 75% de substâncias ativas conhecidas poderiam ser reposicionadas em várias doenças. Mas, além do reposicionamento, as value added medicines podem surgir através de reformulação de fármacos, em que a inovação surge da alteração do sistema de entrega da substância ativa, na via de administração ou na forma farmacêutica; ou através da combinação de diferentes recursos, usando uma combinação com outros fármacos ou com tecnologias.

A reinvenção e otimização de fármacos existentes, numa lógica de inovação contínua, permite ainda obter benefícios para os doentes, como a melhoria da adesão à terapêutica; para os profissionais de saúde, na medida em que existem mais opções e terapias cada vez mais personalizáveis; para os prestadores de cuidados de saúde, uma vez que promovem o uso racional dos fármacos e uma utilização mais eficiente de recursos e; para a indústria, já que traz uma série de oportunidades para inovar ao longo do ciclo de vida do desenvolvimento do produto.

Existem, no entanto, um conjunto de pontos que necessitam de ser trabalhados de forma a promover total reconhecimento dos benefícios das value added medicines, nomeadamente relativamente à aprovação, avaliação e reembolso deste tipo de fármacos, com passos tímidos a serem dados nesse sentido.

A recente Pharmaceutical Strategy for Europe adotada pela Comissão Europeia, veio dar prioridade a medicamentos acessíveis e disponíveis que contribuem para a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Assim, a reavaliação dos modelos atuais de inovação é um passo importante para aumentar o foco na pesquisa de novas formas de inovação ao longo do ciclo de vida dos medicamentos e, especialmente, daqueles que estão em fase off-patent, permitindo ainda oferecer incentivos para o desenvolvimento de abordagens mais inovadoras em áreas terapêuticas maioritariamente ocupadas por genéricos – hipertensão, depressão ou dor.

Segundo os dados disponíveis, em Portugal, em ambiente Hospitalar, 75% dos medicamentos consumidos são off-patent, mas têm apenas um impacto em 26% da despesa. Assim, value added medicines, genéricos e biossimilares vão desempenhar um papel relevante na sustentabilidade do sector.

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