Venda as ações em maio e vá embora!

Como em quase tudo na vida, na bolsa também há altos e baixos. Existem períodos de grande euforia, em que tudo sobe, e períodos de depressão e desânimo generalizado. Se um investidor soubesse de antemão quais os meses mais fortes e quais os mais fracos, certamente não iria desperdiçar essa informação.

 

Pois bem, “Sell in May and Go Away” é uma das máximas mais antigas de Wall Street e preconiza que os investidores devem vender as suas ações em maio, de modo a evitar a queda sazonal, e voltar ao mercado em novembro, evitando assim o período de maior volatilidade entre maio e outubro. Os números falam por si: por cada dólar investido, apenas durante os melhores 6 meses (novembro a abril), no índice americano Dow Jones Industrial Average (DJIA), o investidor teria 50 dólares ao fim de 56 anos, graças à rendibilidade média anual de 8,21% registada entre 1915 e 2019 (aproveite a subida no mercado accionista). Isto considerando que, nos restantes 6 meses (maio a outubro), aplicasse o dinheiro no mercado monetário (num depósito a prazo, por exemplo). Seguindo a lógica inversa, ou seja, investindo um dólar durante os piores 6 meses, resultaria nuns escassos 1,07 dólares, correspondente a um ganho médio anual de 0,13%.

Apesar de não existirem factos concretos que suportem este fenómeno, os académicos apontam algumas razões que podem explicar o sucesso da estratégia, tais como o facto de em maio terminar o período de devolução do IRS nos EUA, as pessoas irem de férias no verão; os investidores voltarem a concentrar-se na constituição das suas carteiras com a aproximação do outono; os fundos de investimentos reajustarem as suas carteiras antes do final do ano fiscal, em outubro; as empresas pagarem os bónus no final do ano, o que vai aumentar os fluxos monetários no mercado bolsista e ajudar a contribuir para o famoso rally de Natal; e a antecipação dos investidores à divulgação dos resultados das empresas, relativos ao 1o trimestre do ano, o que sustenta os meses de março e abril.

Está demonstrada, estatisticamente, a eficácia desta estratégia no mercado americano. Mas será que a mesma se pode aplicar ao mercado português? Resolvi pegar num período mais curto, e estudar os últimos 16 anos e meio de negociação da bolsa nacional. Os resultados foram convincentes!

Um investidor que quisesse replicar o comportamento do PSI-20 e tivesse seguido a estratégia “Sell in May and Go Away” com uma carteira de 10.000€, desde janeiro de 2004 até à última 5a feira, dia 7 de maio de 2020, teria rentabilizado o seu capital em 46,46%, o equivalente a 2,90% ao ano . Este valor compara com os 8,21% de média anual do DJIA. No entanto, e apesar de ser claro que esta diferença espelha de alguma de alguma forma a debilidade comparativa e os problemas estruturais da economia portuguesa, há uma diferença importante. Não considerei a aplicação do capital no mercado monetário, durante os 6 meses que o investidor não está no mercado acionista.

Já o investidor que tivesse seguido a estratégia inversa, ou seja, estar investindo entre maio e outubro e fora entre novembro e abril, teria chegado à última 5a feira com 3969€, o equivalente a -3,77% por ano.

Só uma estratégia do tipo “Buy and Hold” (comprar e deixar ficar) consegue, em alguns períodos, suplantar a estratégia “Sell in May and Go Away”. Foi o caso do fortíssimo Bull Market do PSI-20, entre 2005 e 2007, em que quem tivesse seguido a primeira estratégia teria aproveitado melhor as subidas do que quem se tivesse mantido fiel à segunda. Ainda assim, num horizonte temporal mais dilatado, seguir a estratégia “Sell in May and Go Away” continua a ser mais vantajoso. Quem tivesse mantido as ações em carteira, desde janeiro de 2004 até agora, teria 6336,96€.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Existem dois fatores que não abonam a favor da estratégia vencedora “Sell in May and Go Away”. Em primeiro lugar, se o investidor quiser ter as ações em carteira com o objectivo de receber os dividendos, não faz sentido optar por este tipo de estratégia mas sim pela estratégia “Buy and Hold”. Em segundo lugar os custos de corretagem e os impostos (muito acima dos praticados nos EUA) que advêm da entrada e saída do mercado todos os semestres, trazem custos acrescidos para o investidor.

 

Contudo existe uma solução para que não deixemos de tirar proveito do sucesso desta estratégia. Nos meses quentes, entre maio e outubro, proteja-se contra as quedas do mercado, fazendo a cobertura (“hedging”) do seu portfólio de ações, minimizando assim o impacto negativo da queda do preço das ações sem que tenha necessariamente de se desfazer de nenhuma delas. Confuso? Passo a explicar:

A ideia é ficarmos com uma exposição praticamente nula ao mercado acionista, durante o período de maio a outubro, sem vendermos as ações que temos em carteira e a uma fracção do custo que teríamos se tivéssemos que vender e depois recomprar toda a carteira em novembro. Para o fazermos, devemos posicionarmos-nos curtos (posição de venda) no índice de referência (veja aqui como), num valor nominal equivalente ao da nossa carteira,  ou seja, para uma carteira de 10.000€ aplicada num só mercado deveremos “shortar” (vender a descoberto) cerca de 10.000€ do índice de referência. Embora as ações tenham um comportamento independente, os índices são médias ponderadas de uma seleção representativa dos valores de mercado. A desvalorização no preço das ações será assim compensada por uma valorização da nossa posição de venda no índice.

Agora que nos aproximamos do verão, não deixe que os meses quentes torrem a sua carteira!

 

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com a XTB.

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