Vendas de residências de luxo ultrapassam os 300 milhões de euros

Com 70% dos clientes de nacionalidade estrangeira, o diretor da SIR destaca o regresso ténue, mas importante dos portugueses ao mercado como um segmento prioritário da empresa.

Criada nos anos 70, a Sotheby’s International Realty (SIR) é a descendente imobiliária da leiloeira Sotheby’s nascida em Inglaterra em 1744, e cuja sua marca foi traduzida na venda de espólios, coleções de arte e bens de elevado valor. No setor imobiliário, o grupo está presente em 72 países, com cerca de 960 escritórios e mais de 20 mil pessoas a trabalhar na área.

Há onze anos, a empresa chegou a Portugal, onde tem vindo a implementar-se no setor residencial de luxo, com oito lojas (quatro em Lisboa, duas no Algarve, uma no Porto e outra no Funchal). Entre 2016 e 2017, o crescimento atingiu os 20%, registo que Miguel Poisson, espera manter no final deste ano.

Em entrevista ao Jornal Económico, o diretor-geral da SIR, sublinha que além do “crescimento a dois dígitos”, será ultrapassada “a marca dos 300 milhões de euros com valor de vendas em imóveis residenciais”, no fim do ano, revelando que a empresa vai “continuar a crescer a nível de recursos humanos”, estando “numa fase de recrutamento não só nas áreas administrativas, como comerciais”.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que em Portugal, o mercado imobiliário cresceu 24% no segundo trimestre de 2018 (45.619 transações) face a 2017 (36.816 transações), com o valor de crescimento na totalidade dos imóveis vendidos a ser de 35%. As razões para este aumento devem-se, na opinião de Miguel Poisson, ao “crescimento da economia, o baixar do desemprego e a confiança dos portugueses que são os mais altos do século, atualmente”.

Dos seus clientes, 70% são de nacionalidade estrangeira, dado que “o setor imobiliário hoje em dia é sinónimo de refúgio e rentabilidade para esses investidores”, frisa o diretor-geral da SIR, que destaca os brasileiros como “a nacionalidade que mais cresce em percentagem de negócios”. No entanto, este responsável considera que a principal mudança no paradigma se centra nos clientes dos EUA, “não só para investir como para residir”. A nacionalidade que poderá crescer mais no nosso país são os indianos, conjetura. “É uma população que no futuro poderá ser mais estratégica do que a China”, diz Miguel Poisson, que assinala os cinco principais pontos que os estrangeiros mais valorizam em Portugal: “segurança, bem-estar económico, clima, gastronomia do país e hospitalidade”.

Com a percentagem de investidores estrangeiros a ser predominante para a SIR, o grupo tem levado a cabo muitas ações e road-shows, “para levar Portugal lá fora, para vendermos o nosso produto”, refere o diretor-geral, dando os exemplos de “Miami no ano passado, há duas semanas em São Paulo”.

“No início de 2019, vamos estar no Dubai, em Hong Kong, na Índia, em França e Espanha”, naquela que é vista como uma forma de “criar uma nova dinâmica de colocação do produto que é promovido pelos nossos parceiros no mundo”, explica Miguel Poisson.

Um dos projetos que se encontra a ser comercializado pela Sotheby’s International Realty é o ‘White Shell Beach Villas’, na Senhora da Rocha, em Porches, concelho de Lagoa, Algarve. Um empreendimento a cargo da promotora Vanguard Properties, do magnata  Claude Berda (vencedor do concurso para a compra do Fundo da Herdade da Comporta), com um investimento de 12 milhões de euros.

“É um espaço eco-friendly, onde não entram carros, tudo é feito com transportes elétricos. São 55 unidades de tipologia T1,T2 e T3, que são oportunidades únicas neste momento e a poucos metros da praia”, refere Miguel Poisson, que descreve este projeto como “um produto que se adapta muito também a esta procura externa que vem para Portugal. As pessoas não querendo utilizar a casa todo o ano, podem colocá-la em exploração através de uma empresa ligada ao grupo e poder tirar dali alguma rentabilidade”, explica o diretor-geral da SIR.

Para o próximo ano, existem já alguns projetos em andamento como é o caso do empreendimento na zona das Amoreiras e “outros numa fase embrionária em outras zonas de Lisboa”, afirma.

Apesar da grande maioria dos investidores da SIR serem de nacionalidade estrangeira, a percentagem de portugueses cresceu um pouco este ano. “Como a situação económica é positiva também se vê uma parte importante de classes altas portuguesas a investir no imobiliário, porque mesmo essas durante a crise congelaram as suas decisões de investimento. Para nós, os portugueses são um segmento prioritário. É importante esse regresso”, defende Miguel Poisson.

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