Vendas online para as regiões autónomas cresceram em 70% com fim do bloqueio geográfico

Desde a entrada em vigor da legislação que impede o bloqueio geográfico e a discriminação injustificada nas vendas eletrónicas, o número de lojas do continente a vender para os Açores e Madeira cresceu 70%.

As inscrições estão abertas até 15 de novembro

Desde o início de março que a legislação que pauta o comércio online proíbe as práticas de “bloqueio geográfico e discriminação injustificada” para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira. O incumprimento pode justificar multas que chegam aos 25 mil euros. Dois meses após a entrada em vigor, o número de lojas portuguesas com vendas online abertas para as regiões “cresceu em 70%”, anuncia o comparador de preços e marketplace KuantoKusta, num comunicado citado pelo Jornal de Negócios.

Uma vez que os comerciantes e restantes plataformas de vendas estão obrigados a disponibilizar entrega dos mesmos produtos que são vendidos no continente, o comparador acredita que o crescimento se deve “muito graças ao fim da discriminação imposta pelo Governo”. Antes da entrada em vigor, apenas 14% dos comerciantes no KuantoKusta disponibilizam produtos para os Açores e para a Madeira.

“É com muito otimismo que vemos esta adesão das lojas ao mercado dos Açores e da Madeira”, diz o diretor de marketing do KuantoKusta, Ricardo Pereira, “não só pelos consumidores destas regiões, mas também pelas lojas que se abrem a um público mais vasto que quer comprar e quer ter mais opções”, assinala.

Apesar do crescimento, Pereira nota ainda que persiste uma discrepância nos preços praticados para os portes de envio. Para entregas nas regiões autónomas, o preço médio situa-se nos 15 euros. Já no continente ronda os de 2,21 euros. “Os custos logísticos para envios de encomendas, principalmente em artigos de grandes dimensões, não podem prejudicar ou marginalizar quase meio milhão de portugueses que reside nas regiões autónomas”, diz o responsável. “Esta nova lei aponta na direção certa, mas ainda há muito a fazer do lado logístico para garantir aos arquipélagos uma oferta comercial mais justa e completa”, salienta no comunicado.

Mas a o alargamento do comércio online aos arquipélagos fez também disparar o dinheiro que os compradores dessas regiões gastam em compras online. Desde que foi aplicada a legislação, um consumidor no território continel gastava em média 62,95 por compra. O consumidor insular gasta em média 152,07 euros – 140% mais -, adianta a empresa. A justificação pode estar precisamente no custo associado aos portes de envio, explica Ricardo Pereira: “O consumidor das ilhas, face aos custos dos portes e à oferta local, por vezes mais limitada, acaba por aproveitar para realizar mais compras de uma só vez, o que pode trazer uma vantagem muito grande para os comerciantes escolhidos por estes compradores”, sublinha.

Para o diretor de marketing do KuantoKusta, os dados que foram hoje conhecidos evidenciam uma “força do comércio eletrónico em consumidores onde as circunstâncias geográficas limitam a oferta que têm disponível no comércio tradicional”.

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