Venezuela e Colômbia iniciam normalização das relações

Os dois países vão trocar embaixadores na tentativa de restabelecer laços que se perderam há mais de três anos e que a vitória de Gustavo Petro nas presidenciais colombianas permitiu.

Venezuela e Colômbia trocaram embaixadores dias após a posse do primeiro presidente de esquerda da Colômbia, Gustavo Petro, que prometeu reacender os laços diplomáticos com o país vizinho. O venezuelano Felix Plasencia “está em breve em Bogotá”, anunciou o presidente Nicolás Maduro. A Colômbia enviará como embaixador Armando Benedetti, ex-senador.

Petro, que foi empossado como o primeiro presidente de esquerda da Colômbia no passado domingo, prometeu durante a sua campanha reverter imediatamente uma decisão do seu antecessor – o líder de direita Ivan Duque – de romper os laços diplomáticos com a Venezuela.

Duque, tal como os Estados Unidos, alguns países da União Europeia (e a própria Comissão) e outros, não reconheceu a reeleição de Maduro em 2019 e optou por apoiar o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela – cargo que o ex-presidente norte-americano Donald Trump ‘inventou’.

Maduro não pôde comparecer à posse de Petro porque Duque o proibiu de entrar no país e o novo presidente ainda não tinha funções para reverter essa decisão.

Além da troca de embaixadores, o processo de normalização incluirá a reabertura total da fronteira de mais de dois mil quilómetros entre os dois países, que está praticamente fechada desde 2015 – embora tenha sido reaberta à passagem de pessoas no final ano passado.

O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino Lopez, disse, citado pelas agências internacionais, que Maduro ordenou o estabelecimento imediato de contato com o ministro da Defesa colombiano, Ivan Velasquez, para serem levantados todos os bloqueios de fronteira.

“Continuaremos passo a passo e em um ritmo seguro a avançar na restauração e reconstrução das relações políticas, diplomáticas e comerciais” com a Colômbia, disse Maduro na televisão estatal.

A Colômbia é apenas mais um dos exemplos daquilo que os analistas dizem ser o regresso de vários países às soluções de centro-esquerda. O caso da Colômbia, dizem, é politicamente mais interessante que, por exemplo, o do Chile. Enquanto na pátria de Salvador Allende a existência de um governo de esquerda é um regresso, na Colômbia – país que por razões conhecidas e aceitáveis esteve sempre particularmente sob o foco dos Estados Unidos – é uma ‘estreia mundial’.

Resta saber até que ponto este rearranjo político – que não é uma boa novidade para a administração Biden, como se viu na última Cimeira das Américas – vai alterar a substância do quadro político regional da América Latina.

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