Venezuela: ONG vai monitorizar a crescente desinformação no país

“O encerramento de meios de comunicação, os problemas de infraestrutura em telecomunicações, as falhas de energia elétrica e o pouco acesso à informação passam a ser um dos objetos de estudo da associação civil Medianálisis, através de grupos focais, fóruns, entrevistas, relatórios e investigações sobre a desinformação na Venezuela”, explica-se na nota da ONG.

A Medianálisis, uma ONG venezuelana que promove a “comunicação para a democracia”, lançou hoje o projeto “Desinformação na Venezuela” para “monitorizar a crescente onda de desinformação no país”.

O lançamento do projeto acontece num “contexto de incerteza informativa e controlo do Estado venezuelano”, segundo um comunicado, e tem a participação da Global Americans, um centro de investigação focado nos direitos humanos, a democracia e a inclusão social na América Latina.

“O encerramento de meios de comunicação, os problemas de infraestrutura em telecomunicações, as falhas de energia elétrica e o pouco acesso à informação passam a ser um dos objetos de estudo da associação civil Medianálisis, através de grupos focais, fóruns, entrevistas, relatórios e investigações sobre a desinformação na Venezuela”, explica-se na nota.

De acordo com o comunicado, a Global Americans monitoriza quatro fontes de notícias estatais (Russia Today e Sputnik da Rússia, a agência noticiosa chinesa Xinhua e o People’s Daily da China) que rapidamente ganharam influência na região, para compreender como retratam a atualidade para os leitores da América Latina e Caraíbas.

Na elaboração dos estudos da Global Americans, “participam grandes organizações como a Universidade do Rosário, na Colômbia, o Centro para a Abertura e Desenvolvimento da América Latina (CADAL), na Argentina, e o Tecnológico de Monterrey, no México”, segundo o comunicado.

Os relatórios vão ser publicados em castelhano e traduzidos em inglês, num país em que “a população estão desinformada e fragmentada, o que faz com que amplos setores careçam de informação verdadeira e oportuna”, segundo o jornalista Andrés Cañizález, diretor da Medianálisis.

Por outro lado, “é cada vez mais difícil manter-se atualizado sobre o que está a acontecer na Venezuela”, sublinhou.

“As falhas nos serviços públicos como a eletricidade e a internet, num país onde há poucos meios de comunicação e as televisões e rádios são constantemente monitorizadas pelo Estado”, fazem com que seja “difícil ter uma visão clara do que está a acontecer”, acrescentou.

A Medianálisis foi criada em 2010, em Caracas, por profissionais de distintas áreas, preocupados com o papel social da imprensa, em particular do jornalismo na Venezuela.

Tem realizado investigações sobre o modo como a imprensa local faz a cobertura de assuntos como a pobreza, as mudanças climáticas e as eleições, entre outros.

A forma como os jornalistas se relacionam com as comunidades e a qualidade do trabalho jornalístico são outros tópicos de interesse para a ONG, que procura dar conta do contexto em que se exerce o jornalismo na Venezuela.

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