Ventura diz que Marcelo compreendeu críticas sobre Santos Silva “independentemente das ações que venha tomar”

O presidente do Chega admite compreender “a necessidade de recato institucional” do Presidente da República, mas considera que apenas Marcelo “pode ter a autoridade política de chamar a atenção de Augusto Santos Silva”.

O presidente do Chega, André Ventura, teve um audição com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a postura do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva. Ventura admitiu que Marcelo foi “sensível” aos argumentos expostos.

“Parece-nos que o Presidente da República foi recetivo aos nossos argumentos, independentemente das ações que venha a tomar. Parece-nos que o Presidente da República foi sensível à situação de maioria absoluta e de possível mordaça sobre a democracia que o país enfrenta e parece-nos como Presidente da República, a mais alta figura do Estado, foi sensível aos argumentos”, disse Ventura aos jornalistas.

O Chega admite compreender “a necessidade de recato institucional” do Presidente da República, mas considera que apenas Marcelo “pode ter a autoridade política de chamar a atenção de Augusto Santos Silva”.

Ventura também referiu que durante o encontro com o Chefe de Estado explicou que “o que está em causa não é apenas um comportamento pontual, circunscrito, mas é uma atitude recorrente, intencional, racionalmente decidida e deliberada de eleger o Chega como alvo e de sistematicamente atropelo ao regimento da Assembleia da República”.

“Com base na maioria que Santos Silva que sente que tem a apoia-lo têm sido constantes os atropelos à liberdade, à ação dos partidos e à democracia parlamentar”, sublinhou o presidente do Chega.

Ventura classificou ainda como “inédita” a postura de Santos Silva e diz ser “preciso recuar mais de 100 anos para termos um presidente da Assembleia da República a comentar uma iniciativa legislativa de um partido”. “Provavelmente também é preciso recuar mais de 100 anos para termos uma presidente da Assembleia da República interromper a intervenção do deputado e líder do partido e a fazer comentários sobre essa intervenção”, acrescentou.

Na sexta-feira, 22 de julho, o Chega pediu uma audiência com urgência ao Presidente da República para falar sobre Augusto Santos Silva. A ideia surgiu depois de na quinta-feira, 21 de julho, durante sessão plenária, os deputados do Chega terem abandonado o Parlamento, depois de comentários do presidente da Assembleia, quando se falava sobre emigração.

No documento onde requereu audiência, o Chega considera que a sessão plenária ficou “marcada por mais um episódio lamentável por parte de Augusto Santos Silva relativamente ao Chega”.

Na perspetiva do partido, Augusto Santos Silva demonstrou, “uma vez mais, a sua falta de isenção e independência, comportando-se como um representante da maioria governativa, quando devia ser o garante do bom funcionamento dos trabalhos parlamentares, do pluralismo e da representatividade democrática”.

 

 

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