Viajar no tempo e viver o terramoto de 1755? Novo museu interativo de Lisboa abre portas amanhã (com áudio)

Apesar de ter museu no nome, o Quake surge como um centro interpretativo do sismo que destruiu parte de Lisboa. Os visitantes são convidados a experienciar de forma imersiva o acontecimento, recorrendo a todos os seus sentidos, literalmente.

Quake Experience, Centro do Terramoto de Lisboa. Cristina Bernardo

Sob o mote da sismologia, Lisboa vê mais um museu a ser inaugurado, desta feita sobre um dos acontecimentos mais importantes da capital portuguesa, o terramoto de 1755. O Quake, nome escolhido para o museu que recorda a tragédia e as consequências da catástrofe natural, propõe lembrar e dar a conhecer de forma pedagógica, o que aconteceu a 1 de novembro daquele fatídico ano.

Apesar de ter museu no nome, o Quake surge como um centro interpretativo do sismo que destruiu parte de Lisboa. Os visitantes são convidados a experienciar de forma imersiva o acontecimento, recorrendo a todos os seus sentidos. Após visita, o Jornal Económico (JE) destaca a vertente didática, que junta miúdos e graúdos na aprendizagem sobre, por exemplo, como se movimentam as placas tectónicas, a origem dos tsunamis e, claro está, as consequências devastadoras dos terramotos.

Maria Marques e Ricardo Clemente, responsáveis e fundadores do Quake contam ao JE que a ideia surgiu de uma forma inesperada, “um pouco à semelhança dos sismos”.

“Há cerca de sete anos começámos a estudar Lisboa, temos uma paixão muito grande pela cidade. Tentámos perceber o que estava a acontecer, identificámos o boom no sector do turismo e, após alguma ponderação, achámos que devíamos fazer algo diferente, mas alinhado com o crescimento da cidade”, afirmam os fundadores do Quake.

O casal confessa que as experiências pela Europa fora, fruto das várias visitas a museus e centros de interpretação, foram “fundamentais” para o processo de inspiração que culminou com a criação do Quake. “Transmitir o conhecimento de forma divertida, serviu-nos de inspiração”.

“O Quake ensina-nos a olhar para esta cidade com as lentes daquele dia. Lisboa era uma coisa, passou a ser outra, numas coisas melhor, noutras pior. Ganhamos muita coisa, mas também perdemos uma série de outras. Ainda assim, ganhámos uma projeção internacional com o contributo que a catástrofe deu para a ciência, para a sociedade e para o urbanismo”.

O investimento, segundo os fundadores, “ronda os oito milhões de euros”, com capitais próprios, capitais da banca e do Portugal 2020. Maria Marques e Ricardo Clemente esperam atingir o breakeven ainda este ano, ainda que a estimativa para o retorno do capital seja alcançado num período entre oito a dez anos.

A experiência, com 1h30 de duração, resulta do trabalho dos sismólogos Susana Custódio e Luís Matias, professores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigadores do Instituto Dom Luiz, que, em conjunto com o historiador e escritor André Canhoto Costa, construiram e idealizaram a narrativa que acompanha os visitantes e sustenta todo o conceito do Quake. Adicionalmente, Marta Pisco, produtora de teatro, é a responsável por coordenar o processo criativo, articulando a produção desta experiência, com os conteúdos científicos e históricos apresentados pelos especialistas.

Já a parte tecnológica, fundamental e indispensável em toda a experiência, esteve a cargo da Jora Vision — empresa holandesa de design, produção e tecnologia. Desde a música/sons, às experiências didáticas disponíveis, bem como ao videomapping proporcionado, a ideia é transportar os visitantes para um Portugal iluminista, há muito perdido no tempo, mas cuja influência não se pode separar da Lisboa pós-terramoto.

A visita conta ainda com uma componente inovadora — um simulador de terramotos, ou seja, para quem teve a felicidade de nunca sentir o chão a tremer, o Quake dá a oportunidade de viver o impacto que assolou a capital portuguesa em 1755.

“O edifício aqui é um ponto de partida. Com o conteúdo que temos pesquisado e produzido, em conjunto com a nossa ambição, podemos levar o Quake ao resto do país, criando, por exemplo, uma exposição itinerante ou fazer visitas guiadas pela cidade de Lisboa que nos permitam visitar os locais que são impactantes do terramoto, entre outras coisas. Existem ideias, não para o presente, mas para o futuro”, revelam os responsáveis do Quake.

Acima de tudo, o centro funciona como um alerta para eventuais sismos que venham a ser registados em Portugal, ainda que a componente didática tenha a capacidade de munir os visitantes com algumas ações/medidas de segurança, sob o slogan “não é uma questão de se, mas de quando”.

O Quake está preparado para receber pessoas de várias idades, no entanto, a experiência não é aconselhável a menores de seis anos. As visitas devem ser agendadas, para assegurar o dia/hora mais desejado, estando os bilhetes, que custam 21 euros por adulto, ou 19 euros em grupo, disponíveis para venda no portal oficial do museu.

A inauguração está marcada para amanhã, 20 de abril, numa cerimónia que conta com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

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