Vice-almirante eleito personalidade nacional de 2021 pelos jornalistas da Lusa

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo foi eleito personalidade nacional de 2021 pelos jornalistas da Lusa, num ano em que passou de quase desconhecido a “herói”, devido à coordenação do processo de vacinação contra a covid-19.

Mário Cruz/Lusa

Em 03 de fevereiro, o submarinista de 61 anos emergiu como líder da ‘task force’ – após a demissão de Francisco Ramos devido a irregularidades no processo de vacinação -, embora estivesse desde o início da pandemia no planeamento das ações das Forças Armadas no terreno. Foi então que vestiu o camuflado para “uma guerra” contra o vírus SARS-CoV-2, fixando as prioridades de salvar vidas, conferir resiliência ao Estado e libertar a economia.

Numa exigência transversal, apelou à compra do máximo de vacinas, anunciou que o país poderia administrar 100 mil a 150 mil vacinas por dia – meta superada em 09 de julho, com mais de 160 mil -, pediu o alargamento entre as duas tomas para vacinar mais pessoas, descartou a proliferação de novos grupos prioritários, exigiu mais profissionais e apontou a imunidade de grupo para agosto.

A navegação do vice-almirante enfrentou também correntes adversas nas dúvidas em torno da segurança das vacinas, sobretudo a da AstraZeneca, e o coordenador criticou a “comunicação errática” sobre uma vacina “segura”, alegando possíveis “guerras comerciais”.

Um dos passos decisivos foi o arranque dos centros de vacinação, entre abril e maio, acompanhado do portal de autoagendamento, que massificou a adesão dos portugueses. Com esse fluxo registaram-se também constrangimentos, como em junho, no centro de Monte Abraão (Sintra), em que foi ao local para impor rapidez e acabar com indecisões dos utentes.

“Vamos todos sê-lo e à força. Uns vão ter a vacina artificial, dada aqui e controlada, outros vão ter a vacina natural, lá fora, com 14 dias de quarentena garantidos, risco de hospitalização e até de morte”, avisou o vice-almirante, sentenciando: “Se ainda assim ‘estiverem a tremer’, é dizer-lhes o que se diz aos militares: ‘Colinho’ dá a mãe em casa. Isto é um centro de vacinação, não de psicoterapia”.

O momento mais conturbado deste percurso ocorreu em 14 de agosto, quando Gouveia e Melo foi a Odivelas acompanhar a inoculação de jovens de 16 e 17 anos e acabou insultado à entrada por cerca de 30 negacionistas, que o acusaram de “assassino”.

“O negacionismo e o obscurantismo é que são os verdadeiros assassinos. O vírus associado à ignorância e ao medo ainda mata mais”, atirou, antes de voltar a enfrentar os manifestantes na porta principal, mas já com escolta da PSP, que passou a acompanhá-lo.

Logo a seguir, Portugal atingiu os 70% de população imunizada com duas doses antes do previsto e Gouveia e Melo foi condecorado pelo Presidente da República, em 19 de agosto, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis.

Em 28 de setembro, e já ultrapassado a meta dos 85% de primeiras doses, Gouveia e Melo anunciou o fim da ‘task force’, destacando um processo “que vai ficar na história” e desejando “voltar ao anonimato”.
Da vontade à realidade tem sido uma travessia difícil, com múltiplos convites para eventos, recebido como uma celebridade, mas afastando o regresso à coordenação e qualquer ‘sebastianismo’ à sua volta.

“Dizer ‘tragam o Sebastião’ é provar que não aprendemos nada. Estarei sempre disponível enquanto militar, mas gostaria de ver a nossa sociedade a andar para a frente de outra forma: sem nenhum Sebastião, porque Sebastião é cada um de nós”, concluiu.

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