Vice da Reserva Federal admite que ritmo de subida das taxas de juro pode abrandar

Lael Brainard é a segunda representante da Fed a fazer comentários nesta direção nos últimos dias, depois de dados da inflação em outubro “encorajadores” e que colocam o foco da autoridade monetária nos efeitos que a subida dos juros terá na economia real norte-americana.

A Reserva Federal reconhece que pode abrandar o ritmo de subidas dos juros na maior economia do mundo, dados os primeiros sinais de abrandamento da atividade e da inflação. Segundo Lael Brainard, vice-presidente do organismo, há ainda “trabalho a fazer”, mas a próxima reunião de política monetária pode já trazer novidades depois de uma leitura da inflação em outubro “encorajadora”.

A vice-presidente da Fed afirmou aos jornalistas da Bloomberg que “pode ser apropriado abrandar o ritmo das subidas em breve, mas é importante frisar […] que ainda há trabalho a fazer”, reforçando a importância de o Comité Federal de Mercado Aberto (FMOC, na sigla em inglês) se manter atento aos dados que forem sendo conhecidos.

Precisamente quanto aos números da inflação em outubro, Brainard classificou-os como “encorajadores” ao mostrarem um abrandamento da pressão nos preços, especialmente combinados com outros dados positivos noutros sectores da economia, como o emprego.

A taxa de inflação nos EUA abrandou pelo quarto mês consecutivo em outubro, descendo de 8,2% para 7,7%. Este foi o valor mais baixo desde janeiro e inferior aos 8% projetados pelo mercado.

A Reserva Federal tem vindo a sublinhar a necessidade de combater a subida generalizada de preços pelo que impacto que esta tem na economia, mas tem reconhecido ultimamente que terá também de avaliar os efeitos da subida nas taxas de juro na economia real.

Ainda assim, e em linha com os comentários do presidente Jerome Powell, Brainard reconheceu que a taxa terminal da normalização da Fed deverá ficar acima do esperado há uns meses e do estimado pelo mercado.

A vice-presidente foi a segunda representante da Reserva Federal norte-americana a sinalizar nos últimos dias um possível abrandamento na subida de juros, depois de Christopher Waller ter indicado o mesmo este domingo.

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