Vice-Governador do BdP destaca “a dimensão comportamental do fenómeno económico”

“Ao admitir-se que a especialização das cadeias de produção a nível mundial poderá ter ido longe demais, o que se quer dizer é que a lógica económica não pode ser levada tão longe que gere uma dependência que comprometa a autonomia estratégica do espaço europeu ou dos Estados Unidos”, disse Máximo dos Santos

Cristina Bernardo

Luís Máximo dos Santos, vice-Governador do Banco de Portugal, falava no lançamento do livro “O Banco de Lisboa e a Revolução Liberal de 1820” de José Luis Cardoso, quando destacou que “ao admitir-se que a especialização das cadeias de produção a nível mundial poderá ter ido longe demais, o que se quer dizer é que a lógica económica não pode ser levada tão longe que gere uma dependência que comprometa a autonomia estratégica do espaço europeu ou dos Estados Unidos, ou seja, que, afinal, a globalização tem mesmo limites e que alguma “desglobalização” poderá ser inevitável”.

Citando a Secretária de Estado do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, numa recente conferência promovida pelo Financial Times, Máximo dos Santos disse que “é possível que sejam necessárias políticas que as pessoas descreverão como protecionistas, de maneira a criar os adequados incentivos para se produzir mais internamente”.

Neste contexto, “o conceito de segurança económica nacional tem todas as condições para se tornar bastante elástico e expansivo, antevendo-se muito trabalho para os especialistas em comércio internacional na interpretação do Artigo XXI do Acordo Geral sobre Comércio e Pautas Aduaneiras (GATT), que consagra as exceções respeitantes à segurança”, avançou o vice-Governador.

Destacando “a importância do conhecimento da historia económica e da evolução do pensamento económico”, lembrou a incapacidade para prever a crise financeira global de 2008 e os “erros” publicamente assumidos por algumas organizações internacionais do maior relevo geraram algum desencanto com determinadas visões demasiado redutoras da ciência económica.

“Nos últimos anos, a atenção para a dimensão comportamental do fenómeno económico tem vindo a fazer caminho, disso sendo sinal inequívoco a atribuição do Prémio Nobel da economia, em 2017, a Richard Thaler”, referiu o vice-Governador do BdP.

“Quando a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, em 2001, muito poucos anteviram que esse país fizesse progressos tão extraordinários e rápidos como aqueles que efetivamente fez do ponto de vista económico”, invocou Máximo dos Santos que acrescentou que “ninguém estava preparado para isso e, em pouco tempo, a competição económica transmutou-se numa competição estratégica, numa luta pela influência internacional, em suma, numa luta pelo poder”.

O Banco de Lisboa, ao fundir-se, em 19 de novembro de 1846, com a Companhia Confiança Nacional (uma sociedade financeira) deu origem ao Banco de Portugal e, nessa medida, faz parte da sua história.

A tese sustentada por Damião Peres diz que a data em que o Banco de Portugal foi fundado é a de 31 de dezembro de 1821 (data da criação do Banco de Lisboa).

 

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