Vice-presidente da Guiné Equatorial diz que Espanha criou “pretexto para invadir” o país

O vice-presidente da Guiné Equatorial, Nguema Obiang Mangue escreveu hoje numa rede social que a criação de “uma base militar de Espanha na fronteira com o Gabão” é um “pretexto para invadir” o país africano.

7 – Guiné Equatorial

“A base militar que Espanha criou na nossa fronteira com o Gabão é uma clara provocação à Guiné Equatorial, e um pretexto para invadir o nosso país, com a desculpa de proteger os espanhóis residentes na Guiné Equatorial”, escreveu o vice-presidente da Guiné Equatorial, conhecido como ‘Teodorin’, no Twitter.

A mensagem do governante e filho do Presidente surge depois de vários comentários críticos relativamente a Espanha, com os últimos relacionados com a morte do cidadão espanhol Julio Obama Mefuman, opositor do Presidente Teodoro Obiang.

A morte de Julio Obama Mefuman, com nacionalidade espanhola, foi inicialmente anunciada pelo seu partido, Movimento para a Libertação da República da Guiné Equatorial Terceira República (MLGE3R), através da Rádio Macuto, da oposição ao regime de Teodoro Obiang, que divulgou uma declaração no domingo em que o partido afirmou ter sido informado por “autoridades diplomáticas espanholas” da morte do opositor equato-guineense na prisão de Oveng Azem, em Mongomo (cidade fronteiriça com o Gabão), como resultado de tortura.

Julio Obama “foi um dos quatro” membros do MLGE3R – dois dos quais com nacionalidade espanhola – “raptados pelo regime de Obiang em 15 de novembro de 2019 em Juba (capital do Sudão do Sul), tendo sido transferido sub-repticiamente para a Guiné Equatorial, fechado em celas subterrâneas e brutalmente torturado”, explicou o movimento.

A notícia da morte de Julio Obama foi conhecida dias após a Audiência Nacional espanhola, tribunal com jurisdição sobre todo o território espanhol, ter aberto uma investigação contra a cúpula de segurança da Guiné Equatorial, nomeadamente um dos filhos do Presidente, Carmelo Ovono Obiang, chefe dos serviços secretos do país no exterior, assim como Nicolás Obama Nchama, ministro da Segurança Nacional, e Issac Nguema Ondo, diretor da segurança presidencial.

No dia seguinte à notícia da morte de Julio Obama, na segunda-feira, as autoridades espanholas pediram explicações sobre os factos ao número dois da Embaixada da Guiné Equatorial em Madrid – o embaixador não se encontrava no país -, que se reuniu com o secretário de Estado espanhol dos Negócios Estrangeiros, Ángeles Moreno.

A Embaixada de Espanha em Malabo solicitou igualmente ao ministério equato-guineense das Relações Exteriores informações sobre as circunstâncias da morte de Julio Obama.

“A Espanha deve deixar de elaborar falsas hipóteses e calúnias sobre o Governo da Guiné Equatorial, eles têm uma embaixada no país, a partir da qual podem aceder a informação real”, escreveu o governante, acrescentando: “com respeito ao caso do terrorista Julio Obama, se Espanha quiser que faça uma autópsia ao falecido”.

Poucas horas antes, tinha escrito: “a Espanha pretende atribuir à Guiné Equatorial a morte de Julio Obama, membro do grupo terrorista chamado MLGE3R, que vieram com planos para desestabilizar o país; uma prova clara é que há militares no ativo no exército espanhol na intentona golpista de 2017”.

Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, com 80 anos, governa ditatorialmente a Guiné Equatorial desde 1979, ano em que derrubou, através de um golpe de Estado, o seu tio, Francisco Macias, primeiro chefe de Estado do país, após a sua independência de Espanha em 1968.

Obiang, que é o chefe de Estado há mais tempo no cargo, à exceção das monarquias, foi reeleito em 20 de novembro último para um sexto mandato de sete anos, com 94,9% dos votos, segundo os resultados oficiais, que a oposição contesta, denunciando irregularidades na votação.

A Guiné Equatorial é, desde a sua independência, considerada por organizações de direitos humanos um dos países mais corruptos e repressivos do mundo, acusada de denúncias de prisões, torturas de dissidentes e repetidas fraudes eleitorais.

A Guiné Equatorial é membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.

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