Vieira diz que divulgação de emails foi “estratégia do FC Porto para manchar nome do Benfica”

O antigo presidente do Benfica Luís Filipe Vieira afirmou hoje em tribunal que a divulgação de emails sobre o clube no Porto Canal foi “uma estratégia do FC Porto para manchar o nome” do clube lisboeta.

O presidente do Conselho de Administração da Promovalor, Luís Filipe Vieira, fala perante a Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, na Assembleia da República, em Lisboa, 10 de maio de 2021. TIAGO PETINGA/LUSA

“O Benfica foi altamente lesado na sua imagem. Todo o processo foi desgastante. O Benfica era um clube altamente profissionalizado e a sua imagem ficou seriamente prejudicada”, afirmou Luís Filipe Vieira, na terceira sessão do julgamento do processo da divulgação dos emails do Benfica no Porto Canal, que decorreu no Juízo Central Criminal de Lisboa.

Vieira, que depôs em tribunal na condição de assistente do processo, gozando por isso da prerrogativa de não responder a perguntas das quais pudesse resultar autoincriminação, elogiou a “credibilidade” do Benfica, em relação a outros clubes, classificada pelo advogado do arguido Francisco J. Marques como “uma ode à sua própria gestão”

“O clube estava muito à frente dos outros, quem fez isto foi para manchar o Benfica”, afirmou, acrescentando: “O FC Porto teve uma estratégia de manchar o nome do Benfica”.

O antigo presidente do clube da Luz, que definiu o caso como “um assalto que fizeram ao Benfica”, referiu que após a divulgação dos emails foi chamado ao Banco Comercial Português, onde lhe foi colocada uma questão: “O que se passa, há ou não há corrupção no Benfica?”.

Luís Filipe Vieira, que se demitiu da presidência do clube em julho de 2021, depois de ter sido constituído arguido no âmbito da operação Cartão Vermelho, disse ter perdido negócios devido à divulgação dos conteúdos, feita no Porto Canal, em 2017 e 2018.

“Estava em negociações com um grupo chinês, que previa que o Benfica recebesse 79 milhões de dólares, em seis anos, esse negócio perdeu-se. Tive também problemas com a Emirates [patrocinadora do Benfica]”, afirmou.

O antigo líder ‘encarnado’, que admitiu receber dezenas de emails na sua caixa de correio eletrónico no período em causa, disse ter sido prejudicado a nível pessoal e empresarial pela divulgação dos emails, “porque era o rosto do Benfica”.

“Quem entrou no sistema do Benfica, entrou no sistema da minha empresa. Ninguém tinha paz em casa, eu tive um princípio de depressão, porque me sentia envergonhado (…) A minha mulher era confrontada com estes assuntos no cabeleireiro e na padaria”, afirmou.

O caso da divulgação dos emails remonta a 2017 e 2018, com comunicações entre elementos ligados à estrutura de Benfica e terceiros a serem reveladas no Porto Canal, e tem três arguidos: o jornalista e ex-diretor do Porto Canal Júlio Magalhães, o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, e Diogo Faria, diretor de conteúdos do canal dos ‘dragões’.

Francisco J. Marques é acusado de três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações, três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações agravados, em concurso aparente com três crimes de devassa da vida privada, e um crime de acesso indevido. O diretor de comunicação do FC Porto responde ainda por cinco crimes de ofensa a pessoa coletiva agravados e um crime de ofensa à pessoa coletiva agravado na sequência de uma acusação particular.

O diretor de conteúdos Diogo Faria responde por um crime de violação de correspondência ou de telecomunicações e um crime de acesso indevido, além de um crime de ofensa à pessoa coletiva agravado em acusação particular.

Por último, Júlio Magalhães está acusado pelo Ministério Público de três crimes de violação de correspondência ou de telecomunicações agravados, em concurso aparente com três crimes de devassa da vida privada, bem como cinco crimes de ofensa a pessoa coletiva agravados.

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