Viktor Orbán convida republicanos dos EUA a dialogarem com Putin

O primeiro-ministro húngaro defendeu ainda, durante uma visita aos Estados Unidos, a sua política de tolerância zero contra a imigração ilegal, assegurando que vai desistir dessa postura.

Hungarian Prime Minister Viktor Orban speaks as he arrives for an EU summit in Brussels, Belgium December 10, 2020. John Thys/Pool via REUTERS

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que está nos Estados Unidos a participar num encontro do Partido Republicano, convidou os conservadores norte-americanos a unirem forças perante a percepção de que partilham batalhas comuns, e destacou que sem diálogo entre os Estados Unidos e a Rússia, “não haverá paz”.

O convite a Orbán reflete a crescente adesão dos conservadores ao líder húngaro, cujo país implementou políticas duras contra a imigração e os direitos LGBTQ+. Orbán também é considerado o aliado mais próximo na União Europeia do presidente russo Vladimir Putin.

Por outro lado, Viktor Orbán disse que recusa desistir da política de tolerância zero contra imigração ilegal na Hungria: “Fomos os primeiros a dizer não à imigração ilegal e a parar a invasão de imigrantes ilegais. Acreditamos que parar a imigração ilegal é necessário para proteger a nossa nação”, realçou o governante húngaro no Texas, durante o seu discurso na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC).

A Hungria tem recebido pressão quer dos países do sul, quer do bloco comunitário, mas afirma que “o futuro é a coisa mais importante que podemos deixar para os nossos filhos e netos e nós, na Hungria, não vamos desistir”, pelo que a política seguida até aqui é para manter. Até porque, na sua opinião, é a forma de manter os valores da família tradicional: “A mãe é uma mulher e o pai um homem. E acabou a discussão”.

Durante o seu discurso na influente reunião anual convocada pelos conservadores norte-americanos, que será encerrado este sábado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, o primeiro-ministro da Hungria apresentou-se como um “antiquado” defensor da liberdade e frisou ser “o único líder político anti-imigração” no continente europeu.

E defendeu que “é preciso ser corajoso, mesmo para lidar com as questões mais sensíveis, como a imigração, o género e o choque de civilizações”, e, nesta linha, sublinhou que “um político cristão não pode ser racista”.

No seu discurso amplamente aplaudido, o chefe do governo húngaro defendeu que, quando “os progressistas tentam separar a civilização ocidental das suas raízes cristãs, cruza-se uma linha que não deve ser cruzada”.

Ainda antes de subir ao palco no Texas, já Donald Trump tinha recebido o governante europeu em encontro particular. “Poucas pessoas sabem tanto sobre o que está a acontecer no mundo atualmente”, sublinhou o republicano.

Segundo a casa Branca, o presidente Joe Biden não deve encontrar-se com Viktor Orbán.

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