Incêndios: como a Inteligência Artificial salvou um negócio de milhões

Uma vinha em Napa, EUA, foi salva dos funestos incêndios que assolaram o estado da Califórnia, em outubro, através de um computador. 

Christian Palmaz, um vitivinicultor norte-americano, terá passado os piores momentos da sua vida quando a vinha da família, localizada em Atlas Peek, Napa, ficou cercada por aquele que ficou descrito como o pior incêndio em toda a história da Califónia.

Enquanto, helicópteros resgatavam pessoas e animais, Palmaz estava sozinho na sua vinha, a percorrer os hectares, carregado de uvas por vindimar, condenados às chamas, onde a adega familiar guardava 90% do vinho, sendo que parte dele ainda estava em tanques de fermentação. De acordo com a Bloomberg, aquela quinta vinhateira estava avaliada em mais 10 milhões de dólares.

Por norma, uma vinha daquela dimensão precisa de monitorização para que os tanques de fermentação mantenham as temperaturas ideais para o vinho ter boa qualidade. Era Christian Palmaz que fazia esse trabalho e, certamente, terá pensado que as chamas, que cercavam a vinha iriam consumir mais de dez milhões de dólares de trabalho familiar.

O improvável aconteceu, quando Palmaz, através verificou que os geradores da vinha, estavam a ‘correr’ devidamente o backup dos aparelhos e, por isso, os tanques conseguiam manter as condições adequadas para a fermentação do mosto do vinho. Ainda assim, Palmaz nunca pensou que conseguiria salvar aquele vinho jovem sem a experiência do enólogo da quinta, retido do outro lado das chamas. A aparente inevitabilidade da voracidade das chamas em queimar aquela terra, só não se concretizou porque Paamaz tinha a inteligência artificial do seu lado.

Recorrendo ao Felix, o nome do Fermentation Intelligence Logic Control System, que é um software programado para analisar e, eventualmente, apoiar na gestão de até 36 tanques de fermentação, Palmaz conseguiu salvar a vinha.

Com o Felix, desenvolvido pela indústria petrolífera, foi possível ajustar a temperatura dos tanques e manter o devido equilíbrio na fermentação do mosto. Segundo a Bloomberg, Palmaz usou o Felix com “agressividade”, prevendo, com dez segundos de antecipação face ao aumento da temperatura provocada pelas chamas, possíveis problemas.

À agência de notícias, Christian Palmaz contou que o Felix “não foi concebido para salvar uma vinha, mas salvou”.

Da vinha da família Palmaz saem pouco mais de dez mil garrafas de vinho, por ano, e o recurso ao Felix corresponde a um investimento de milhões daquela família. A história de Palmaz com o Felix rapidamente se tornou célebre, principalmente por todas as decisões terem sido tomadas sob constante pressão. Dezenas de companhias vinhateiras já foram à quinta para comprovar o sucedido, segundo a Bloomberg.

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