Violência e saques preocupam emigrantes na África do Sul; Governo da Madeira atento

Recentemente, o Conselheiro das Comunidades portuguesas em Joanesburgo alertou para o regresso de muitos portugueses ao seu país. Ao Económico Madeira, uma madeirense a residir há 45 anos na África do Sul dá testemunho da situação neste país.

A onda de violência e a recessão económica que está assolar a África do Sul levou recentemente o conselheiro das comunidades portuguesas em Joanesburgo, Vasco Pinto Abreu, a alertar, em declarações proferidas à RDP Internacional, para o regresso de muitos emigrantes a Portugal. Esta situação não tem afetado para já os madeirenses mas está a ser acompanhada pelo Executivo regional.

O Económico Madeira ouviu o testemunho de uma madeirense a residir há 45 anos em Joanesburgo sobre a situação naquele país. Natural do norte da Ilha, Cecília Ribeiro vive a 40 minutos do centro de Joanesburgo. A madeirense dá conta da preocupação da comunidade que lida agora com o problema dos saques aos terrenos privados.

“As pessoas não conseguem, neste momento, vender os seus terrenos e estão a ser alvo de tentativas de expropriação pelos locais que reclamam o património como pertencendo aos seus antepassados. Aqui, onde vivemos, a comunidade é tranquila. Há muitos madeirenses, mas por enquanto estamos todos bem”, declara.

De acordo com Cecília Ribeira, a violência está mais restrita ao centro de Joanesburgo, mas muitos portugueses, sobretudo os que viveram situações semelhantes em Moçambique, ponderam o regresso a Portugal.

A situação da África do Sul não é indiferente também ao deputado eleito pelo PSD pelo círculo fora da Europa.  José Cesário lamentou o chumbo do programa de apoio ao regresso dos emigrantes, evocando os problemas dos emigrantes na  Venezuela e os eventuais casos que podem vir a surgir no Reino Unido por causa do Brexit.

Presidente do Governo da Madeira está atento à situação
O presidente do Governo Regional diz que até ao momento não existem dados sobre o regresso dos emigrantes madeirenses na África do Sul e adianta que a situação naquele país estar a ser acompanhada, nomeadamente com contactos frequentes com os conselheiros portugueses.

“Não tenho tido nenhum sinal de regresso dos nossos conterrâneos. Temos mantido diálogo com as comunidades e com os conselheiros no sentido de garantir os direitos e liberdades dos nossos emigrantes na África do Sul. Neste momento, estamos concentrados na situação grave  da Venezuela”, afirmou Albuquerque, esta terça-feira, no Funchal, em declarações proferidas à margem da sessão de abertura da conferência internacional IEEE – Sistemas Inteligentes.

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