Vítor Bento aceitou convite “inesperado” de Salgado devido a apoio do BdP

O ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, explicou hoje aos deputados que recebeu com surpresa o convite de Ricardo Salgado para lhe suceder na liderança do BES, tendo aceitado devido ao apoio expresso do Banco de Portugal (BdP). “A 30 de junho recebi o convite inesperado de Ricardo Salgado para presidir ao Banco Espírito Santo […]

O ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, explicou hoje aos deputados que recebeu com surpresa o convite de Ricardo Salgado para lhe suceder na liderança do BES, tendo aceitado devido ao apoio expresso do Banco de Portugal (BdP).

“A 30 de junho recebi o convite inesperado de Ricardo Salgado para presidir ao Banco Espírito Santo (BES). Tinha acabado de ser conhecido o grande sucesso do aumento de capital e o quadro que me foi descrito – e não estou a revelar nada que não seja público – foi que o banco tinha um problema de exposição ao Grupo Espírito Santo (GES), mas que estava contido”, afirma o responsável na audição da comissão de inquérito parlamentar ao caso BES.

Bento sublinha que contactou logo no dia seguinte o Banco de Portugal e que lhe foi garantido que os prejuízos estavam contidos dentro da ‘almofada’ de capital que o banco dispunha e que o problema em Angola estava a ser tratado pelas autoridades portuguesas e angolanas. E que lhe asseguraram que, se o banco viesse a ter problemas de capital, estaria disponível a linha de recapitalização pública, constituída em 2011, quando Portugal recorreu ao apoio financeiro da troika.

O gestor aceitou o convite numa ótica de “desafio patriótico”, segundo o próprio, realçando que lhe foi “prometido” o apoio por parte do Banco de Portugal.

“Fiquei convencido que tinha pela frente o desafio de recuperar a confiança”, afirmou, acrescentando que pensava que, em caso de necessidade, a linha pública de 12 mil milhões de euros estava disponível para ser utilizada, “tal como foi por outros bancos”.

Bento conta que, depois de ter obtido o “apoio explícito” do Crédit Agricole, acionista de referência do BES, decidiu aceitar o convite, mas com condições.

“Só assumiria funções após serem divulgadas as contas do primeiro semestre, até porque não fazia sentido apresentar resultados que não sabia explicar e teria como base de partida as contas do semestre validadas pelos auditores”, diz.

Por essa altura, Bento já tinha iniciado contactos para formar a equipa de gestão do BES.

“Tive várias recusas de profissionais competentes que não se quiseram arriscar nesta aventura”, confidencia, realçando que conseguiu contratar dois “grandes profissionais”, José Honório e João Moreira Rato, para a sua equipa.

Segundo Bento, a 10 de julho “as condições agravaram-se” depois de ser conhecida a exposição real do BES ao GES.

“Começou assim uma grande pressão para que a minha entrada no banco se processasse o mais rapidamente possível”, revela, sublinhando que a 14 de julho a sua equipa aceitou assumir funções.

“Em pouco tempo, verificou-se que nenhuma das condições em que aceitámos o desafio se concretizou. O problema de Angola não estava resolvido e a linha de recapitalização pública não estava disponível para ser usada pelo banco”, assinala.

A comissão de inquérito arrancou a 17 de novembro e tem um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado.

OJE/Lusa

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