Vítor Constâncio vê Portugal com menor probabilidade de uma recessão do que resto da UE

A reduzida exposição à energia russa significa que Portugal está numa posição vantajosa para fazer face aos próximos semestres, considerou o antigo governador do BdP, ainda que seja expectável uma “recessão leve” na Europa e nos EUA.

Vítor Constâncio continua a ver a inflação na zona euro como largamente temporária, dada a natureza do choque que tem vindo a colocar uma pressão acrescida sobre os preços na economia europeia, e considera a hipótese de uma recessão em Portugal menos provável do que no resto da UE.

O antigo governador do Banco de Portugal (BdP) falou no âmbito da conferência ‘OE2022: Alterações Fiscais’, promovida pela RFF & Associados esta segunda-feira no Centro Cultural de Belém, para reforçar que a natureza dos choques de preços na Europa e nos EUA mostram origens muito distintas e, portanto, implicações para o futuro diferentes.

“Estou neste campo de pensar que a inflação em 2023 estará nos 2% e qualquer coisa e na parte final do ano estará muito próxima de 2%”, referiu o também ex-vice-presidente do Banco Central Europeu.

Para Constâncio, o facto de os preços na Europa estarem a reagir sobretudo a um choque petrolífero faz com que a inflação seja temporária, visto que este tipo de fenómenos “não continua todos os anos”, especialmente tratando-se de um indicador analisado em termos de variação homóloga.

Como tal, o efeito deverá acalmar na zona euro, onde a inflação subjacente se mantém bastante abaixo da norte-americana, sublinhou o antigo responsável do BdP. Já nos EUA, a subida de preços relaciona-se muito com os apoios orçamentais mobilizados pelo governo federal durante a pandemia, criando um excesso de procura que não se verifica deste lado do Atlântico.

No entanto, Vítor Constâncio não descarta a possibilidade de uma “recessão leve” em ambos os espaços económicos, vendo em Portugal uma menor probabilidade de tal acontecer. Tal explica-se pela menor exposição da economia portuguesa à energia russa, completa, mas a possibilidade de “restrições no gás natural no final do ano” podem, ainda assim, ter um impacto generalizado na Europa.

O evento contou ainda com a avaliação da RFF & Associados ao Orçamento do Estado aprovado para 2022, com a generalidade dos advogados da firma a destacar as poucas alterações em relação à proposta chumbada no final do ano passado. Rogério Fernandes Ferreira, sócio fundador da RFF, abordou as contribuições especiais ou sectoriais, sublinhando que, no seu conjunto, representam já “o quarto ou quinto maior imposto” em termos de receita arrecadada no sistema fiscal português, lamentando a falta de definição em relação às mesmas.

“Neste momento em que é difícil politicamente apresentar um agravamento dos impostos tradicionais, há esta via de criar outras receitas”, resumiu.

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